Património

Protesto contra dispositivos publicitários da CGD em Alfama (19.05.2026) 499 339 Fórum Cidadania Lx

Protesto contra dispositivos publicitários da CGD em Alfama (19.05.2026)

À CGD

C.C. PCML, AML, PC-IP e media

Exmos. Senhores

Como é do conhecimento de V. Exas., os ambientes urbanos históricos das nossas cidades, como são os casos de Alfama, Mouraria, Bairro Alto, Bica e Madragoa, em Lisboa, devem ser respeitados e cuidados e não explorados de forma abusiva para simples benefício de empresas, sejam elas privadas ou públicas.

Lamentamos, por isso, ver o banco do Estado, a Caixa Geral de Depósitos, a instalar no Bairro de Alfama dispositivos de publicidade, em plástico, nas consolas de iluminação pública a propósito de eventos que patrocina.

A poluição visual (e ambiental devido aos plásticos) que a CDG ajuda a causar nos arruamentos e monumentos de Alfama – incluindo igrejas como a de Santo Estêvão classificada Monumento Nacional – é indesculpável tanto mais que a CGD nem se digna remover todos os seus dispositivos de publicidade com o encerramento dos eventos.

Independentemente da permissividade da CML e da tutela da Cultura (actual PC-IP) em permitirem estes dispositivos de publicidade * – facto contra o qual temos protestado vezes sem conta, sem efeito prático-, não podemos deixar de protestar junto de V. Exas. na esperança de que, doravante, a CGD se exima de colocar estes dispositivos publicitários.

As fotos que aqui anexamos estão desde o ano passado a poluir visualmente Alfama.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

 

Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro Jordão, Nuno Caiado, Filipe de Portugal, Luís Serpa, Rui Martins, José Albuquerque Fonseca, Fátima Castanheira, António Araújo, Beatriz Empis, Filipe Teixeira, Jorge Pinto

* [O Decreto-Lei n.º 48/2011, de 1 de abril, cujo Anexo IV estabelece os critérios subsidiários a observar na ocupação do espaço público e na afixação de mensagens publicitárias de natureza comercial, dispõe no seu artigo 2.º, alínea i), que a ocupação do espaço público não pode prejudicar o acesso ou a visibilidade de imóveis classificados ou de locais de culto – condição que os dispositivos instalados violam no contexto de Alfama, onde a Igreja de Santo Estêvão constitui Monumento Nacional classificado desde o Decreto de 16 de junho de 1910. O artigo 3.º, n.º 1, do mesmo Anexo IV proíbe a afixação ou inscrição de mensagens publicitárias em edifícios ou monumentos de interesse histórico, cultural, arquitectónico ou paisagístico, designadamente em imóveis classificados ou em vias de classificação. O artigo 11.º, n.º 2, alínea b), do diploma principal reforça esta protecção ao exigir que a ocupação do espaço público não prejudique o enquadramento de monumentos nacionais ou de edifícios de interesse público. Acresce que o artigo 3.º, n.º 2, alínea a), do Anexo IV estabelece que a afixação de mensagens publicitárias não é permitida sempre que os suportes utilizados, nomeadamente faixas de plástico ou materiais semelhantes, possam afectar a estética dos lugares. A Lei n.º 97/88, de 17 de agosto, reforça este quadro ao proibir expressamente a realização de inscrições ou pinturas murais em monumentos nacionais e em centros históricos declarados como tal ao abrigo da regulamentação urbanística vigente.]

 

 

Património do Ministério da Defesa – Aplauso e pedido de informações ao Senhor Ministro (13.05.2026) 1008 1024 Fórum Cidadania Lx

Património do Ministério da Defesa – Aplauso e pedido de informações ao Senhor Ministro (13.05.2026)

Exmo. Senhor Ministro da Defesa

Dr. Nuno Melo

C.C. GAB PM, PCML e AML

 

Serve o presente para congratularmos Vossa Excelência pelas obras de adaptação em curso no edifício da Messe de Santa Clara, antigo Palácio Barbacena, destinadas a criar 27 novas unidades de alojamento para militares e seus agregados, e as obras de recuperação e restauro do Paço da Bemposta, com vista à musealização dos aposentos reais do edifício, entre outros objectivos.

Igualmente, o nosso aplauso pelo anúncio da reconversão das antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, sitas no Campo de Santa Clara, para habitação.

Aproveitamos o ensejo para perguntar a V. Exa. se já há uma data para o início das respectivas obras.

É de aplaudir quando um Ministério aposta na reabilitação e restauro dos seus edifícios para os colocar à fruição e usufruto dos cidadãos, salvaguardando o legado histórico, em vez de o colocar à venda.

Permita-nos que perguntemos ainda o seguinte:

1.No âmbito das obras no Paço da Bemposta, está prevista a recuperação do seu magnífico Observatório Astronómico, sito defronte àquele?

2.Qual é de facto o futuro do edifício do Estado-Maior-General das Forças Armadas, no Restelo, uma vez que correm rumores que o mesmo será novamente colocado à venda?

3.Existe algum projecto ou ideia para a recuperação e dignificação do Arquivo Histórico Militar, sito no antigo Convento de Chelas, e edifício conexo da antiga Fábrica da Pólvora sem Fumo, incluindo a sua fabulosa central termoeléctrica Krupp?

4.O que pretende o Ministério da Defesa fazer com o Quartel de Campo de Ourique?

5.Está prevista a valorização do Museu Militar?

Muito obrigado.

Com os melhores cumprimentos

 

Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro Jordão, Jorge Pinto, Jorge Oliveira, Rui Martins, Diogo Baptista, Fátima Castanheira, José Albuquerque Fonseca, António Miranda

Ala Norte da Manutenção Militar – pedido ao Senhor Primeiro-Ministro (28.04.2026) 1024 1024 Fórum Cidadania Lx

Ala Norte da Manutenção Militar – pedido ao Senhor Primeiro-Ministro (28.04.2026)

Exmo. Senhor Primeiro-Ministro

Dr. Luís Montenegro

C.C. Gab. MF, MP, MIH, MCJD, Comissões da AR, CML,  SGPCM  e media

Como é do conhecimento de Vossa Excelência, os edifícios que se encontram nos cerca de sete hectares da ala Norte da antiga Manutenção Militar, sita na Rua do Grilo, em Lisboa, permanecem desde há demasiados anos afectos à Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros, sem que se conheça qualquer decisão do Governo relativamente ao seu futuro.

Numa altura em que o tema da Habitação é por demais debatido e há cada vez menos locais disponíveis em Lisboa para albergar não só estudantes universitários como iniciativas e artistas os mais variados, e numa altura em que foi devolvida vida à ala Sul da Manutenção Militar, vide o Hub Criativo do Beato e a antiga Fábrica de Moagem (Museu/EGEAC), é urgente que o Estado decida o que fazer com o complexo de edifícios da ala Norte, abstendo-se de os alienar ou de os deixar entregues à especulação imobiliária, como tem acontecido em tantos maus exemplos dos últimos anos, que escusamos de elencar.

Pelo exposto, vimos apelar a Vossa Excelência para que o Governo não perca esta oportunidade de fazer da ala Norte da Manutenção Militar um exemplo de boas práticas de políticas públicas, em parceria ou não com a Câmara Municipal de Lisboa e a sociedade civil, garantindo a recuperação dos espaços e imóveis que ali existem, alguns deles históricos (o terminal ferroviário, os silos de azeite, o cinema -fotografia), e promovendo novos usos que a todos orgulhem.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Inês Beleza Barreiros, Carlos Moura, Helena Espvall, Filipe de Portugal, Rui Martins, António Araújo, Nuno Caiado, António Barreto, Fátima Castanheira, Jorge Pinto, José Albuquerque Fonseca, Beatriz Empis, Maria Ramalho

Fotografia: Arquivo Municipal de Lisboa
​Coreto do Jardim da Estrela continua ao abandono mas com telão colocado em 2023 a anunciar obras – pedido de esclarecimentos à CML (31.03.2026) 1024 768 Fórum Cidadania Lx

​Coreto do Jardim da Estrela continua ao abandono mas com telão colocado em 2023 a anunciar obras – pedido de esclarecimentos à CML (31.03.2026)

Exmo. Senhor Presidente da CML

Eng. Carlos Moedas

C.C. AML, PC-IP e media

Constatamos, com perplexidade, que o Coreto do Jardim da Estrela se mantém por restaurar, apesar de estar com um telão colocado pela CML no Verão de 2023 (!) anunciando o seu contrário.

Perguntamos a V. Exa. como é possível esta situação caricata e, pior, profundamente desprestigiante para aquele monumento criado em 1894 pelo arq. José Luís Monteiro para o Passeio Público:

O que se passa com esta empreitada? Por que razão não se iniciaram ainda as obras de restauro anunciadas há quase três anos? Ninguém assume responsabilidades?

Muito obrigado.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Helena Espvall, António Barreto, Jorge Pinto, Rui Martins, Fátima Castanheira, Luís Serpa, José Albuquerque Fonseca, José Maria Amador, Filipe de Portugal, Gustavo da Cunha, Pedro Jordão, Miguel de Sepúlveda Velloso, Diogo Baptista, Maria Ramalho

Obra em preparação no Campo de Santa Clara/Panteão Nacional – pedido de esclarecimentos à CML (20.03.2026) 1015 1024 Fórum Cidadania Lx

Obra em preparação no Campo de Santa Clara/Panteão Nacional – pedido de esclarecimentos à CML (20.03.2026)

Exmo. Sr. Presidente da CML

Eng. Carlos Moedas,

Exmo. Sr. Vereador do Urbanismo

Arq. Vasco Moreira Rato

C.C. AML e Património Cultural-IP

Contactamos V. Exas. a fim de obtermos uma explicação da CML sobre a colocação recente de tapumes e material de obra junto ao antigo Convento do Desagravo, hoje Escola Básica de Santa Clara, em pleno Campo de Santa Clara, defronte à Igreja de Santa Engrácia (MN).

No local, até agora utilizado como estacionamento pago (EMEL), não existe qualquer aviso sobre a natureza da obra em preparação: construção de um edifício? colocação de um quiosque? obra infraestrutural da E-Redes?

Juntamos fotos sobre este assunto.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Luís Serpa, Rui Martins, Diogo Baptista, Ana Alves de Sousa, Jorge Pinto, Gustavo da Cunha, António Araújo, Beatriz Empis, Fátima Castanheira

Fotos de Júlio Soares

Elementos decorativos do antigo Café Palladium – pedido de esclarecimentos à CML (10.03.2026) 1024 768 Fórum Cidadania Lx

Elementos decorativos do antigo Café Palladium – pedido de esclarecimentos à CML (10.03.2026)

Exmo. Senhor Vereador

Arq. Vasco Moreira Rato

C.c. PCML, AML e PC-IP

 

Como será do conhecimento de V. Exa. encontra-se aprovado pela CML, desde Dezembro de 2015, um projecto de alterações com demolições parciais no antigo Café Palladium (Proc. 291/EDI/2015), sito na Avenida da Liberdade, nº 1.

Em 2016, solicitámos à CML que nos esclarecesse sobre o impacto desse projecto nos interiores concebidos entre 1932 e 1935 pelos arquitectos Cassiano Branco e Raul Tojal, que, apesar da transformação do café em Shopping Centre Palladium (1979), se mantinham no espaço aquando do aprovação do projecto de alterações. Em causa estavam (estão) os elementos Art Déco da decoração do antigo café: colunas, baixos relevos, candeeiros e gradeamentos (ver https://cidadanialx.blogspot.com/2016/04/pedido-de-nao-demolicao-do-interior-do.html).

Recordamos que estes interiores fazem parte de um edifício abrangido pelo CIP da Avenida da Liberdade, pelas zonas de protecção do Elevador da Glória (MN) e do Palácio Foz (IIP); e que integra ainda a Carta Municipal do Património anexa ao PDM.

A resposta dos serviços de Urbanismo da CML foi peremptória:

O projecto foi aprovado pela CML porque previa a “a reposição da galeria suportada por colunas, a manutenção dos baixos-relevos, candeeiros e colunas” (ver respostas da CML).

Hoje, passados 11 anos sobre a aprovação do projecto de alterações, e verificando-se um aparente retomar das obras naquele espaço, continuamos a não vislumbrar nem os referidos baixos-relevos, nem as colunas, nem a galeria, nem os candeeiros.

Solicitamos, por isso, que nos esclareça quanto à eventual caducidade do projecto de alterações acima identificado e, mais importante, qual o paradeiro dos elementos decorativos em presença, bem como se se mantém a promessa da sua manutenção e recolocação no futuro espaço comercial.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, António Araújo, Fernando Jorge, Eurico de Barros, Diogo Baptista, Ana Cristina Marques, António Miranda, Ana Alves de Sousa, Jorge Oliveira, Jorge Pinto, João Batista, Helena Espvall, José Albuquerque Fonseca, Miguel Atanásio Carvalho

Protesto veemente pelo licenciamento de ampliação com demolições da moradia neo-árabe da R. D. Estefânia, 185-189 (03.03.2026) 1024 768 Fórum Cidadania Lx

Protesto veemente pelo licenciamento de ampliação com demolições da moradia neo-árabe da R. D. Estefânia, 185-189 (03.03.2026)

Exmo. Senhor Vereador do Urbanismo da CML
Arq. Vasco Moreira Rato
C.C. PCML, AML e media
 
Serve o presente para apresentarmos o nosso mais veemente protesto pelo anunciado licenciamento feito por V. Exa. (4/OD-CML-2026) do projecto de demolição e ampliação (proc. 264/EDI/2020) para a moradia do antigo Instituto Português de Reumatologia (IPR), construída em 1918 por Cosme Damião Dias na Rua Dona Estefânia, nº 185-189, mesmo reconhecendo que o projecto em causa foi aprovado em 2022 pela sua antecessora à frente do pelouro do Urbanismo.
Trata-se de uma moradia de cariz romântico, em estilo neo-árabe, bem patente na sua fachada e nos estuques que decoram as suas paredes e tectos.
Esta moradia está protegida pela Carta Municipal do Património, anexa ao Plano Director Municipal em vigor (item 44.30 Edifício de habitação unifamiliar / Rua de D. Estefânia, 185-189).
Como tal, conforme é do conhecimento de V. Exa., segundo o Artigo 27º do Regulamento do PDM:
«As intervenções em imóveis da Carta Municipal do Património devem respeitar as suas características e ter presente as possibilidades de fruição pela comunidade, num processo de contínua adaptação», «As intervenções em conjuntos arquitetónicos da Carta Municipal do Património devem respeitar quer a morfologia […] quer as características arquitetónicas substanciais dos imóveis que contribuem para a continuidade urbana, incluindo a morfologia, a volumetria, a altura das fachadas, o cromatismo e os revestimentos», «Deve ser privilegiada a conservação do edificado para a preservação da identidade cultural e histórica da cidade, assente numa lógica de conservação não apenas de bens isolados da Carta Municipal do Património, mas também dos edifícios de acompanhamento que com eles compõem uma unidade urbana.» e «A intervenção em bens da Carta Municipal do Património deve respeitar o critério da autenticidade, no reconhecimento de cada época de construção».
Por sua vez:
«As operações urbanísticas sobre os bens classificados ou em vias de classificação como de interesse municipal e sobre os outros bens culturais imóveis da estrutura patrimonial municipal, não classificados, nem em vias de classificação, estão sujeitas a vistoria e parecer patrimonial e carecem de estudo de caracterização histórica, construtiva, arquitetónica, de valores técnico-industriais, arqueológica e decorativa do bem que justifica a adequação das intervenções propostas.») e «A Câmara Municipal deve divulgar, na sequência dos estudos que forem sendo realizados, fichas técnicas de caracterização dos bens referidos no número anterior e identificar valores a salvaguardar e graus de intervenção de que os mesmos podem ser objeto à luz das normas estabelecidas no presente Regulamento.» (ponto 9, Artigo 26º do Regulamento do PDM).
E, ainda à luz do Regulamento do PDM, são aceites obras de demolição em bens imóveis da Carta Municipal do Património apenas numa das seguintes condições:
«Em situações de ruína iminente, atestada por vistoria municipal; quando o edifício não seja passível de recuperação e/ou reabilitação em razão de incapacidade estrutural, atestada por vistoria municipal; para valorização do imóvel ou do conjunto em que se insere, através da supressão de partes sem valor arquitetónico e histórico; quando as obras de demolição forem consideradas de relevante interesse urbanístico em plano de urbanização ou de pormenor ou em unidade de execução.» (Artigo 29º do Regulamento do PDM).
Como se constata no local, a moradia apresenta-se relativamente bem conservada e, portanto, muito longe de se considerar em pré-ruína e de se justificar qualquer demolição do seu interior à luz do Artigo 29º já referido, a menos que a CML demonstre o contrário, divulgando relatório de engenharia de estruturas que o justifique.
Em relação a obras de ampliação em imóveis da Carta Municipal do Património, e abstendo-nos de tecer considerações sobre a bondade das ampliações, estilo “cabeçudo”, que a CML tem vindo a permitir e a incentivar junto dos proprietários que as defendem como forma de rentabilização dos imóveis – argumento que, a nosso ver, não cabe à CML garantir -, o Regulamento é claro:
São permitidas ampliações «Para reposição das características e coerência arquitetónica ou urbanística do imóvel ou do conjunto, justificadas por estudos técnicos adequados baseados em documentos idóneos; Para adaptação do imóvel ou do conjunto a novo uso ou a novas exigências legais relativas ao uso existente, adequada às características substanciais e valores autênticos do passado do imóvel ou do conjunto; Para melhoria do desempenho estrutural e funcional dos imóveis, sem prejuízo das suas características substanciais e valores autênticos do passado; Para ampliação, quando não seja prejudicada a identidade do edifício e sejam salvaguardados os valores patrimoniais do imóvel ou do conjunto e a ampliação seja admissível nos termos do presente Regulamento.» (nº 1 do Artigo 28º).
Mais uma vez não cremos que o projecto em apreço cumpra nenhuma destas condições, uma vez que a moradia está intacta, o uso inicial é mantido (a moradia era unifamiliar em 1918, só depois passou a ser sede do IPR), não há melhoria estrutural e funcional na moradia, e a sua identidade é severamente prejudicada.
Não podemos também deixar de referir a nossa tristeza por este licenciamento aprovado por V. Exa. em 29 de Janeiro de 2026, contradizer o que nos referiu há dias, em resposta ao nosso pedido de esclarecimentos sobre a política da CML quanto à preservação e reabilitação do património da cidade de Lisboa para o mandato 2025-2031 (https://cidadanialx.org/portfolio/patrimonio-da-cidade-de-lisboa-mandato-2025-2031-pedido-de-esclarecimentos-a-cml-03-02-2026/), designadamente quando referiu que «o Município acompanha no quadro das suas atribuições e permitem, aqui e ali, consolidar uma política de salvaguarda do património, articulando-o com a dinâmica económica e urbana que a cidade vai exigindo.» e que «Lisboa rejeita a ideia de indiferença e inação. A introdução de melhorias nos procedimentos de gestão urbanística, a par de diversas iniciativas de reabilitação urbana, integradas ou não em Operações de Reabilitação Urbana sistemáticas, são também exemplo de uma política de atuação consistente da autarquia em matéria de reabilitação e de preservação do património.»
Ambas as afirmações não se aplicam, manifestamente, ao caso desta moradia, por mais que a aprovação do projecto agora licenciado tenha sido feita em 2022.
Por outro lado, como serão garantidos os estuques que existem na moradia, se vai haver demolições e colocação de mais dois pisos (um em mansarda) e se se vai introduzir um elevador?
Vai ser removida/destruída a balaustrada em cerâmica que corre em toda a periferia da cobertura (trata-se de uma balaustrada muito bonita, muito lisboeta e já rara)?
E o que vai acontecer à fonte decorativa que ornamenta o muro do logradouro e que é parte integrante do conjunto Romântico desta moradia unifamiliar raríssima no Bairro da Estefânia? Devia ser objecto de conservação e restauro!
E as caixilharias do vão de porta do átrio, com vidros gravados e que deviam ser cuidadosamente preservados?
A demolição integral da cobertura original do séc. XIX vai destruir uma parte significativa deste conjunto edificado onde se incluem os compartimentos e respectivos espaços de circulação originais. 
Todos os seus vãos, chaminés e balaustrada em cerâmica, deveriam ser considerados como parte inseparável do bem cultural e nunca como algo “menor” e, portanto, descartável como este licenciamento preconiza. 
A nova cobertura em mansarda de zinco, igual a centenas de outras que têm vindo a surgir um pouco por toda a cidade independentemente do período histórico, constitui uma banalização, um empobrecimento, do património arquitectónico da nossa cidade. Algo que deveria ser preocupação central da CML.
Lamentamos mais este caso de adulteração do Património da cidade, por sinal de uma moradia para a qual já tínhamos chamado a atenção da CML em … 2014, e que, pela ausência de más notícias desde essa altura, nos levou a pensar que a CML teria feito o que dela se esperava, ou seja, que fizesse cumprir o PDM.
Puro equívoco.
Com os melhores cumprimentos
 
Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro Jordão, Fernando Jorge, Rita Matias, Nuno Caiado, António Miranda, Rui Martins, Filipe de Portugal, Gustavo da Cunha, João Batista, Helena Espvall, António Araújo, Ana Cristina Marques, Jorge Pinto, Beatriz Empis

Resposta da CML (26.03.2026):

Pedido de esclarecimentos à SRU, Lisboa Ocidental, S.A. sobre Tapada das Necessidades e outros (24.02.2026) 1024 1024 Fórum Cidadania Lx

Pedido de esclarecimentos à SRU, Lisboa Ocidental, S.A. sobre Tapada das Necessidades e outros (24.02.2026)

Exmo. Sr. Presidente do Conselho de Administração da SRU Lisboa Ocidental
Eng. Gonçalo Nuno Soeiro e Sá dos Santos Costa
 C.C. PCML, AML, PC-IP e media
  
No seguimento da aprovação da Proposta nº 44/2026 em reunião de CML do passado dia 20 de Fevereiro, que transfere a responsabilidade da execução do projecto de reabilitação da Tapada das Necessidades para a SRU, Lisboa Ocidental, S.A., revogando assim a deliberação camarária de 2025 que atribuía 19,26 M€ à Associação de Turismo de Lisboa para esse efeito, decisão que nos parece acertada;
 Solicitamos a V. Exa. que nos confirme se o contrato que vai ser celebrado entre essa empresa e a CML mantém os pressupostos até agora assumidos pela CML, ou seja:
 – Se o projecto e a respectiva obra mantêm o mesmo “caderno de encargos”, i.e., se continuam a ter por base o Plano de Salvaguarda e Gestão da Real Quinta das Necessidades, aprovado em 2024 e objecto de uma ampla participação pública?
– Se se mantém o envolvimento directo da Associação Portuguesa dos Jardins Históricos, enquanto parceira estratégica para a boa prossecução do projecto e das respectivas obras à luz das boas-práticas das intervenções em jardins históricos?
– Se os 19,6 M€ que estavam alocados à ATL, transitam automaticamente para a SRU, S.A., de modo a que o início das obras não se arraste por mais tempo e se acautelem devidamente todas as componentes em presença (espaços verdes, património, cultura, infraestruturas, etc.)?
 Também gostaríamos de saber quando é que esse projecto é assinado com a CML, se o mesmo é tornado público e, mais importante, quando é que V. Exa. prevê que os lisboetas, e todos quantos têm lutado pela recuperação integral da Tapada das Necessidades ao longo das últimas décadas, possam começar a ver obra​s de restauro e reabilitação daquele espaço único?
 Finalmente, e à luz dos planos de actividades e relatórios e contas dos últimos anos da SRU, S.A., solicitamos a V. Exa. que nos esclareça como é possível que o Palacete dos Marqueses de Pombal vá transitando anualmente de plano em plano na rubrica “Lançar ou consignar empreitadas” e, pior, se refira um aumento de 4,3 M€ em obras no mesmo se, não se vislumbram quaisquer obras nesse palacete?
 O mesmo, aliás, se aplica à reabilitação anunciada da Torre da Péla (aqui com um acréscimo de 600 mil €), também sem que se detecte qualquer melhoria no monumento. O mesmo em relação à Casa Veva de Lima, onde a sua recuperação profunda ainda não se verificou.
 Com os melhores cumprimentos
 
Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria Teresa Goulão, Fernando Jorge, Filipe de Portugal, Rui Martins, Nuno Caiado, Helena Espvall, Jorge Pinto, António Miranda, Diogo Baptista, Maria Ramalho

Resposta da SRU (20.03.2026):

Torreão Poente do Terreiro do Paço – janelas escancaradas e obras continuam paradas – protesto à CML (10.02.2026) 1024 1002 Fórum Cidadania Lx

Torreão Poente do Terreiro do Paço – janelas escancaradas e obras continuam paradas – protesto à CML (10.02.2026)

Exmo. Sr. Presidente da CML
Eng. Carlos Moedas,
Exmo. Sr. Vereador da Cultura
Dr. Diogo Moura
C.C. AML e media
Constatámos ontem que as janelas do Torreão Poente do Terreiro do Paço se mantêm escancaradas às intempéries e, consequentemente, agravam o estado de degradação deplorável em que se encontra aquele edifício.
Recorde-se que o Torreão Poente foi cedido pelo Estado à CML em 2016, por um período de 45 anos, “mediante a contrapartida de 387.300 euros”, para que a CML o reabilitasse e adaptasse a outro fim.
De facto, o edifício passou por uma série de obras de reforço estrutural, como forma de obviar ao processo de afundamento gradual que o mesmo vinha a sofrer desde finais do século XX, e que se traduzia em 2009 por um desnivelamento de 75 centímetros em relação ao resto da praça. No entanto as mesmas não foram suficientes.
Reconhecemos que as obras estruturais são difíceis e bastante onerosas, mas não se compreende a morosidade e os percalços processuais por que as mesmas têm passado, mais a mais dispondo a CML e a Associação de Turismo de Lisboa de receitas avultadas provenientes das taxas turísticas e do Casino de Lisboa.
Muito menos podemos aceitar que, aparentemente debelado o problema da cobertura que permitia que chovesse no último piso do Torreão, o edifício se apresente de janelas abertas à destruição.
Aproveitamos para solicitar a V. Exas. que nos informem como se encontra o novo concurso de concepção para a requalificação e adaptação do Torreão Poente, lançado em 2025 e que tinha como objectivo final a instalação de um núcleo museológico do Museu da Cidade.
Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Bernardo Ferreira de Carvalho, António Araújo, Gustavo da Cunha, Rui Martins, Eurico de Barros, Nuno Caiado, João Batista, Jorge Pinto, Diogo Baptista, Filipe de Portugal, Helena Espvall, José Maria Amador
Património da cidade de Lisboa – mandato 2025-2031 – pedido de esclarecimentos à CML (03.02.2026) 1024 682 Fórum Cidadania Lx

Património da cidade de Lisboa – mandato 2025-2031 – pedido de esclarecimentos à CML (03.02.2026)

Exmo. Sr. Presidente da CML
Eng. Carlos Moedas
Exmo. Sr. Vereador do Urbanismo
Arq. Vasco Moreira Rato
C.C. AML e media
Como será do conhecimento de V. Exas., a associação Fórum Cidadania Lx é uma associação sem fins lucrativos cujo maior eixo de acção é a salvaguarda, valorização e defesa do património do distrito de Lisboa, Património esse que distingue a nossa capital de muitas outras capitais europeias, mas que, apesar de melhorias registadas, está num preocupante estado de abandono e negligência.
Reconhecendo que a exigente responsabilidade na sua defesa exige, da parte das forças vivas da cidade, um esforço conjunto, não podemos deixar de concluir que em matéria de património, a acção da CML tem sido praticamente nula: assistimos a uma crescente banalização da imagem da cidade, das suas ruas, da sua orografia e da sua monumentalidade, em prol de uma massificação que não é acompanhada, por quem nos visita, pelo conhecimento sobre Lisboa; a menos que a CML entenda, custa-nos a crer, que os “segredos” da sardinha portuguesa, os “encantos” do bacalhau ou os “abanões” que o visitante sofre ao visitar o alegado quake museum, constituem os marcos do conhecimento da história e da cultura de Lisboa.
É sim do conhecimento público que tem sido política deste e de outros executivos camarários, privilegiar os números e as estatísticas da hotelaria e da restauração em detrimento de um turismo diversificado e de qualidade; e deixar o mercado ocupar o lugar de PDM, Planos de Pormenor e outros que, se fossem escrupulosamente respeitados e executados, corrigiriam o paradigma e assegurariam uma maior protecção e uma diminuição drástica da especulação, com tudo o que daí decorreria de ganhos para a cidade e para os seus habitantes; contudo isso não acontece.
Dado o extremo interesse em sabermos por parte da CML em que pé se encontra a defesa, salvaguarda e valorização do património de Lisboa, e apesar do continuado mutismo da CML em responder às nossas comunicações, desrespeitando assim não só as regras da civilidade como os princípios da transparência e da participação cidadã que apregoa praticar, mais uma vez solicitamos à CML, ao seu Presidente e ao seu Vereador do Urbanismo, que nos informem o que pretende a CML fazer durante o presente mandato autárquico relativamente aos seguintes casos ilustrativos da extensa e aflitiva degradação do património da cidade de Lisboa:
· Ruína galopante de grande parte do complexo monumental da Igreja dos Paulistas e dos Conventos de Jesus, da Graça, da Encarnação (Comendadeiras de Avis), do Desterro, das Flamengas, da Madredeus, de Santos-o-Novo e do Coleginho de Santo Antão.
· Abandono de património municipal de que são exemplo os palácios Marim-Olhão e Pombal.
· Absoluta indiferença na defesa e protecção de bens tão emblemáticos como o Aqueduto das Águas-Livres e todas as estruturas que pertencem à Real-Obra.
· Adiamento sucessivo do início das obras de recuperação da Tapada das Necessidades e do edificado nela presente, ao abrigo do propalado Plano de Salvaguarda.
É uma constatação de facto: por toda a cidade o património é vandalizado, abandonado, vendido e destruído.
A CML, não sendo a sua proprietária tem, todavia, o direito de iniciativa e pode constituir-se como parte interessada.
Outras cidades aprovam regulamentos internos específicos para a defesa de elementos e edificado, não esquecendo o urbanismo comercial para que as cidades não sejam todas elas cidades-Zara, cidades-Starbucks, cidades-lojas-de-recuerdos.
O facto de o património de Lisboa, como é apanágio de qualquer cidade, ser propriedade de diferentes particulares ou entidades, não pode servir para nada ser feito. 
A diluição de responsabilidades é a desculpa perfeita para que Lisboa se mantenha nesta vergonhosa indigência na frente da salvaguarda do património.
Lisboa pode e deve ser melhor.
Continuamos a aguardar que a CML aja!
Na expectativa, e colocando-nos à disposição de V. Exas. para o que entenderem por conveniente, apresentamos os melhores cumprimentos.
Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Martins, Jorge Oliveira, Nuno Caiado, Eurico de Barros, Helena Espvall, António Miranda, Miguel Atanásio Carvalho, João Batista, Filipe de Portugal, António Barreto, Diogo Baptista, José Maria Amador, Ana Alves de Sousa, Filipe Teixeira, Luís Serpa

Resposta da CML (26.02.2026):

«Exmos. Senhores,
A Câmara Municipal de Lisboa (CML) acusa a receção da comunicação do Fórum Cidadania Lx e agradece o interesse manifestado na salvaguarda e valorização do património da cidade, matéria que constitui, igualmente, uma prioridade da ação municipal.
Pensar hoje em novos modelos de gestão, manutenção, preservação e conservação do património é um desafio para o qual devemos estar preparados e que devemos assumir como prioritário na tarefa fundamental de proteger e valorizar o património e relativamente ao conjunto de imóveis identificados importará desde logo referir que a maioria dos imóveis não é propriedade municipal, encontrando-se sob tutela do Estado, de entidades religiosas ou de particulares, facto que determina desde logo níveis e responsabilidades e de atuação diferentes.
No que diz respeito ao património privado do Município, o Palácio Marim-Olhão e o Palácio Pombal estão atualmente em fase de estudo.
De acordo com a informação dos serviços da CML encontra-se a ser delineado o programa funcional e a natureza da intervenção a realizar nestes imóveis.
Quanto à Tapada das Necessidades, os projetos de reabilitação mantêm-se em curso, encontrando-se em diferentes fases de desenvolvimento. Na reunião de Câmara de 20 de fevereiro de 2026 foi aprovada a proposta n.º 44/2026, que determina a transferência da responsabilidade pela reabilitação do imóvel para a esfera do Município, que mandatará, por sua vez, a Lisboa SRU para a elaboração dos projetos e a execução das intervenções.
Noutra fase de intervenção estará, por exemplo, o projeto de requalificação e adaptação do Torreão Poente, cujo concurso de conceção foi lançado recentemente, a intervenção nas Escolas Luis de Camões e Manuel da Maia, imóveis que integram a Carta Municipal do Património e cujos concursos serão lançados em breve ou o Cinema Cinearte, para o qual se encontra em estudo o projeto de intervenção.
Já no património privado do Estado, a maioria dos edifícios referidos não têm iniciativas de intervenção recentes. É o caso da Igreja dos Paulistas, da Academia das Ciências de Lisboa (instalada no Convento de Jesus), do Convento da Encarnação, do Convento do Desterro (capela) e do Convento das Flamengas.
Exceção feita ao Convento da Madre de Deus, encerrado desde 1 de novembro de 2025 para obras de conservação no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e ao Convento da Graça, a está associado a um projeto de reabilitação com ampliação do antigo Convento de Nossa Senhora da Graça para instalação de uma unidade hoteleira, com uma obra que se perspetiva para breve (trata-se de concessão do Turismo de Portugal no âmbito do Programa REVIVE).
Relativamente ao Aqueduto das Águas Livres e às estruturas da Real Obra, propriedade da EPAL, está em agenda uma proposta para deliberação pela Câmara Municipal de emissão de parecer prévio favorável para realização de uma obra de conservação e de restauro nos lanternins daquela infraestrutura.
No que se refere ao património privado (ou particular), também aqui a situação é diversa. Não há processos recentes relativos à Igreja do Convento de Jesus nem ao Coleginho de Santo Antão.
Já no antigo Hospital de Nossa Senhora do Desterro (excetuando a capela), está prevista uma reabilitação integral para habitação/alojamento local, unidade hoteleira e comércio, com projeto deferido em janeiro de 2026. O Convento de Santos-o-Novo obteve, em abril de 2023, homologação favorável do Pedido de Informação Prévia para obras de requalificação e adaptação a residências de estudantes (ISCTE) e sénior (Santa Casa da Misericórdia de Lisboa), também no âmbito do PRR, cabendo ao particular prosseguir com o consequente licenciamento da obra.
Não é também displicente referir as inúmeras operações urbanísticas de iniciativa particular que o Município acompanha no quadro das suas atribuições e permitem, aqui e ali, consolidar uma política de salvaguarda do património, articulando-o com a dinâmica económica e urbana que a cidade vai exigindo. São disso exemplo, o Palácio Almada-Carvalhais, a Antiga unidade industrial “A Napolitana”, o Palácio Condes da Ribeira Grande, o Palácio Povolide ou o Palácio CTT na Rua de S. José.
A autarquia sublinha ainda que, no caso de património pertencente ao Estado ou a privados, a realização de operações urbanísticas depende da iniciativa daqueles, que estão, por si, legalmente obrigados a assegurar as condições de segurança, salubridade e arranjo estético dos imóveis. A atuação direta do Município está assim condicionada, sem prejuízo do seu dever de fiscalização, acompanhamento e de articulação institucional / cooperação.
Lisboa rejeita a ideia de indiferença e inação. A introdução de melhorias nos procedimentos de gestão urbanística, a par de diversas iniciativas de reabilitação urbana, integradas ou não em Operações de Reabilitação Urbana sistemáticas, são também exemplo de uma política de atuação consistente da autarquia em matéria de reabilitação e de preservação do património.
Lisboa pode e deve servir melhor, mas esse é um trabalho constante e o compromisso do Município para com a cidade e os lisboetas.
Agradecemos, uma vez mais, a disponível participação de V. Exas..
Com os melhores cumprimentos,
 
Gustavo Namorado
Adjunto
Gabinete do Vereador Vasco Moreira Rato»

Réplica à resposta do Sr. Vereador (04.03.2026):

Exmo. Sr. Vereador do Urbanismo
Arq. Vasco Moreira Rato,
Exmo. Sr. Adjunto do Vereador
Dr. Gustavo Namorado
Agradecemos a resposta de V. Exa. ao pedido de esclarecimentos sobre a política da CML para o mandato 2025-2031, quanto à preservação e reabilitação do património da cidade de Lisboa, que lhe enviámos no início de Fevereiro ((https://cidadanialx.org/portfolio/patrimonio-da-cidade-de-lisboa-mandato-2025-2031-pedido-de-esclarecimentos-a-cml-03-02-2026/).
Contudo, permita-nos que teçamos alguns comentários sobre vários dos pontos da referida resposta:
1.As nossas críticas dizem apenas respeito à falta de pró-actividade da CML em relação ao estado de abandono, incúria e degradação em que se encontra grande parte do património, propriedade do Estado e de privados, classificado MN, de Interesse Público ou supostamente protegido pela Carta Municipal do Património, situação que se acentua mandado após mandato.
Sabemos que a responsabilidade directa nestes casos não é da CML, e por isso temos vindo a exigir, vezes sem conta, ao Estado e aos privados que o recuperem e lhe dêem bom uso, em vez de permitirem que se mantenha nas malhas da especulação imobiliária.
Caso diverso é continuarmos a não conseguir encontrar razões plausíveis para a CML não fazer uso das suas competências legais, abdicando de intimar Estado e privados a fazerem as obras de conservação e restauro nesse património, que a Lei obriga, tomando posse administrativa desse património. se for disso caso.
Aliás, é nossa convicção que, se a CML cumprisse e fizesse cumprir escrupulosamente o que o Plano Director Municipal define em matéria de autorização de obras de ampliação e demolição para edifícios e bens elencados no inventário municipal, parte substancial da razão de ser desta associação deixaria de existir.
Por outro lado, urge que a CML aumente exponencialmente as coimas e o IMI em edifícios devolutos e ao abandono, que estejam classificados ou elencados na Carta Municipal do Património, uma vez que é de constatação óbvia que as sanções existentes são indolores a quem abre à destruição as janelas desse património.
2.No que toca aos exemplos citados por V. Exa. sobre “operações urbanísticas de iniciativa particular que o Município acompanha no quadro das suas atribuições e permitem, aqui e ali, consolidar uma política de salvaguarda do património, articulando-o com a dinâmica económica e urbana que a cidade vai exigindo”, temos no Palácio Almada-Carvalhais (MN) um caso paradigmático: o edifício continua a degradar-se  desde que a discoteca “B.leza” abandonou a ala que ocupava desde 1990;o palácio já mudou de proprietário e de projectista por variadíssimas vezes, o que configura especulação imobiliária, perante a passividade da CML e do PC-IP/DGPC/IGESPAR/IPPAR.
Já a adaptação d’A Napolitana a escola especializada, trata-se de um bom exemplo de adaptação de um imóvel histórico a novo uso, ainda que tenham desaparecido do interior da nave principal as colunas de ferro que a caracterizavam. Seja como for, recordamos que este edifício esteve sob ameaça de um outro projecto totalmente descaracterizador do património em presença, que só não foi avante porque, entretanto, foi publicada em DR a classificação do imóvel enquanto Monumento de Interesse Público, cujo requerimento foi da nossa autoria.
Em relação ao antigo Liceu Rainha Dona Amélia/ Palácio Condes da Ribeira Grande, trata-se de outro bom exemplo, embora, a nosso ver, o projecto de interiores da zona apalaçada pudesse ser mais bem conseguido, e a ala das exposições temporárias tivesse sido construída sobre pavilhões de génese ilegal, perdendo-se, assim, uma oportunidade de permeabilizar todo aquele imenso logradouro, que estava ocupado de forma espúria ao longo do funcionamento do liceu. O projecto poderia ter sido muito melhor, se a mesma CML, ainda que há vários mandatos, não tivesse promovido e aprovado o plano de pormenor em regime simplificado para o centro de congressos, o qual, oportunisticamente, se estendeu até ao lote do palácio.
Sobre o Palácio Povolide, classificado MIP por iniciativa indirecta desta associação, desconhecemos se existe algum projecto em fase de licenciamento. Contudo, o último projecto a ser conhecido publicamente era manifestamente intrusivo e descaracterizador do edifício. Para além de nada dizer acerca do património móvel e imaterial da agremiação também classificada de interesse cultural, que é o Ateneu Comercial de Lisboa.
Congratulamo-nos com a homologação favorável em 2023 do PIP para obras de requalificação e adaptação a residências de estudantes (ISCTE) e sénior (Santa Casa da Misericórdia de Lisboa) em Santos-O-Novo, e fazemos votos para que a obra se inicie, quanto antes, uma vez que se passaram três anos dessa aprovação e nada se passou desde aí.
3. Sobre os antigos conventos referidos, e sabendo-se a falta de oferta de habitação que se verifica em Lisboa a vários níveis (arrendamento, residências universitárias, etc.), e a discussão fértil, mas inócua, que perpassa o debate público em épocas eleitorais, seria expectável que a CML se esforçasse por liderar de forma pró-activa um conjunto de iniciativas com os respectivos proprietários (SCML, irmandades, etc.),por forma a que algum desse património deixasse de estar devoluto e fosse recuperado e reabitado.São disso casos exemplares os conventos da Encarnação e das Flamengas.
Mau, péssimo mesmo, é o caso do Convento da Graça, que exigiria da CML uma intervenção exemplar junto do próprio REVIVE, exigindo a anulação da adjudicação feita ao grupo SANA e a sua atribuição à CML para nele desenvolver habitação acessível, por exemplo.
4. Em relação ao património do Município, e abstendo-nos de elencar o vasto património da CML que está devoluto e ao abandono por toda a cidade, congratulamo-nos com a informação ora prestada de que “o Palácio Marim-Olhão e o Palácio Pombal estão actualmente em fase de estudo”. Esperamos que os mesmos sejam rapidamente e convenientemente restaurados e lhes seja dado uso compatível, permanecendo ambos como propriedade municipal,isto é, propriedade de todos os lisboetas.
Bem como esperamos que o projecto de intervenção a que V. Exa. se refere para o Cinearte, tenha por objectivo reverter o cinema para uma sala única, corrigindo assim a intervenção descaracterizadora de que o edifício foi alvo nos anos 90, e devolvendo-lhe doravante a autenticidade então perdida.
5. Finalmente, gostaríamos de alertar V. Exa. para o caso sui generisdo Bairro Azul, que foi classificado de Interesse Municipal em 2009, pela própria CML e após uma fase de decisão de 11 anos (!), mas que continua sem um “manual de boas práticas” em 2026, muito menos um regulamento próprio, como seria expectável. 
Daqui resulta que essa classificação não passe de letra morta: a compartimentação dos apartamentos dos prédios abrangidos pela classificação tem vindo a ser alterada sem controlo, as coberturas também, há ampliações de andares apresentadas como zonas de aprumos, são introduzidos elevadores de forma brutal, os logradouros continuam a ser impermeabilizados, etc.
Pelo exposto, e como compreenderá, não podemos concordar com a afirmação “Lisboa rejeita a ideia de indiferença e inação. A introdução de melhorias nos procedimentos de gestão urbanística, a par de diversas iniciativas de reabilitação urbana, integradas ou não em Operações de Reabilitação Urbana sistemáticas, são também exemplo de uma política de atuação consistente da autarquia em matéria de reabilitação e de preservação do património”.
Fazemos votos para que no final do presente mandato, possamos ter um entendimento contrário e que a CML seja agregadora de vontades, à semelhança do que foi feito, a título de exemplo, durante os mandatos de 2002-2004 e 2007-2011, com a reabilitação das igrejas do Chiado ou re-dinamização do Intendente.
Com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Helena Espvall, Jorge Oliveira, Nuno Caiado, Rui Martins, Ana Alves de Sousa, Filipe de Portugal, Fátima Castanheira, Jorge Pinto e José Maria Amador