Palácio da Ajuda

Palácio Nacional e Sítio Monumental da Ajuda – pedido de esclarecimentos ao DGPC 1024 1017 Paulo Ferrero

Palácio Nacional e Sítio Monumental da Ajuda – pedido de esclarecimentos ao DGPC

Exmo. Sr. Director-Geral do Património Cultural
Arq. João Carlos Santos
C.C. GABPM, GABMC, PCML, AML e LUSA
No seguimento do artigo “Museu do Tesouro Real, Um Ano Depois”, saído no Público Ípsilon, versão online, em 24 de Junho, e que deixa um desastroso retrato do que foi possível o design fazer nesse museu, julgamos que seria de todo conveniente haver um esclarecimento da DGPC acerca dos pontos abaixo indicados. 
Como é do conhecimento geral, quando se começou a falar da construção do Museu do Tesouro Real na ala poente do Palácio Nacional da Ajuda, e independentemente do projecto arquitectónico escolhido pelo Governo e CML para o remate do palácio, várias foram as vozes das entidades responsáveis que prometiam uma “revolução” no sítio monumental da Ajuda.
A triste e actual realidade, contudo, desmente essas entusiastas e certamente irreflectidas promessas:
– A Torre do Galo continua a degradar-se, sem restauro à vista, muito menos com o fabuloso mecanismo do relógio (foto) a trabalhar e os sinos a tocarem, constituindo, inclusivamente, uma ameaça à segurança dos transeuntes, para além de ser o espelho do desleixo com que as coisas se mantêm e são aparentemente toleradas;
– O Jardim das Damas está aberto ao público, gerido pela Junta de Freguesia da Ajuda mas sem controlo, a degradar-se ainda mais, temendo-se pelo furto de azulejos ou de cantarias relevantes, isto passados mais de 10 anos sobre o acordo firmado então entre a DGPC e a CML, em que se gastaram largos milhares de euros na sua recuperação, aparentemente incompleta, além de se ter revelado ineficaz a intervenção na parte poente do talude;
– O Mirante que dá para a Calçada da Ajuda continua no estado que todos sabemos, com vidros partidos e reboco a cair;
– O ajardinamento da envolvente não se fez. Na Alameda dos Pinheiros, o espaço é digno de uma lixeira, o restolho abunda na parte poente e que é vizinha da fachada do MTR;
– As caixilharias das janelas do pátio do palácio apresentam um estado de degradação indigno a todos os níveis;
– Os torreões do Palácio continuam por restaurar nos seus interiores e coberturas.
Para além destes aspectos, gostaríamos que V. Exa. nos elucidasse em relação a alguns pontos que têm sido alvo de justas críticas e se prevê que algum deles seja resolvido até final do presente ano:
– Como está feita a ligação entre o novo edifício do MTR e o antigo corpo do PNA, nomeadamente o eventual impacto que possa ter tido no antigo atelier de D.Luís I, que continua encerrado, ao que se sabe por infiltrações resultantes da alteração ao projecto do MTR, que implicou a acoplagem ao PNA de um corpo em betão, e no túnel que existia sob o pátio do palácio ligando as duas alas daquele, e que terá sido cortado no seguimento de sondagens e perfurações para avaliação de estruturas?
– O que restava do espaço das antigas cozinhas foi mantido?
– O que se planeia ou já está em execução pela DGPC nas importantíssimas salas das reservas do Museu do PNA?
– Finalmente, a lindíssima Sala dos Serenins, gostaríamos de saber o que pretende fazer a DGPC para aquele espaço e restantes edifícios do Laboratório de Arqueociências, por forma a que, designadamente, a utilização da primeira seja compatível com a sua riqueza histórica-decorativa.
 Com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, Ana Celeste Glória, António Dias Coelho, Luís Mascarenhas Gaivão, Pedro Jordão, José Maria Amador, Raquel Henriques da Silva, Fátima Castanheira, Jorge Pinto, Carlos Boavida, Filipe Teixeira, Helena Espvall, Filipe de Portugal, Maria do Rosário Reiche, João Teixeira, António Araújo, Irene Santos
  
Foto: Mecanismo do relógio da Torre do Galo, em 2012, por Hermínio Nunes