Frente rio

Projeto Eléctrico-16, de Santa Apolónia à Parque Expo – contributo para a discussão pública (30.09.2026) 1024 683 Fórum Cidadania Lx

Projeto Eléctrico-16, de Santa Apolónia à Parque Expo – contributo para a discussão pública (30.09.2026)

Contributo para a Consulta Pública acerca das Alternativas Apresentadas (20.08.2026-30.09.2026):

 

Projeto da Extensão do Serviço de Eléctrico Rápido entre Santa Apolónia e o Parque Tejo/Sacavém (Linha E-16)

Estudo de Impacte Ambiental (EIA) – Contributo para a Consulta Pública acerca das Alternativas Apresentadas (20.08.2026-30.09.2026)

Considerações iniciais:

1.A ligação por eléctrico desde a Baixa à Parque Expo (e eventual ligação ao concelho de Loures), passando por Santa Apolónia, é fundamental e só peca por tardia, já que a mesma devia ter sido planeada antes da Expo’98 e executada logo após o termo desta.

Não só porque se trata de um percurso com apenas 10,5 km.; apenas existem dois tipos de transporte público directo entre a Baixa e a Parque Expo: o autocarro 782 e o comboio de Santa Apolónia à Gare do Oriente/Moscavide, ambos com horários e fiabilidade incompatíveis com os tempos actuais.

Nessa medida é um projecto que aplaudimos.

2. A finalização da linha de eléctrico entre o Campo das Cebolas e a estação de Santa Apolónia é também de aplaudir uma vez que a mesmo se encontra pendente, inexplicavelmente, desde as obras de requalificação do espaço público (Campo das Cebolas) em 2021.

3. A reformulação da Praça de Santa Apolónia é também muito bem-vinda, face ao caos paisagístico e de trânsito que é seu apanágio permanente, e que vem desde muito antes das obras em curso do Plano de Drenagem. A praça é uma situação indigna para a cidade, para quem nela mora e para quem a visita.

4. A futura linha de eléctrico (E-16), enquanto obra preocupada com o Ambiente e com a mobilidade suave, não pode ter como pressuposto o abate e/ou o transplante de centenas de árvores ao longo do seu percurso, nem beliscar minimamente a Alameda dos Oceanos, oásis de paisagismo e qualidade de espaço público na cidade de Lisboa e, além do mais, isso colidiria com as Recomendações do Relatório Síntese do Estudo de Impacte Ambiental, designadamente com o descrito no ponto 5.2.10.2.1.

5. A alternativa a escolher para a futura linha de eléctrico (E-16) deve abster-se de propor a circulação do eléctrico no troço da Alameda dos Oceanos entre a Avenida Ulisses e a Avenida da Boa Esperança, como é proposto nas alternativas 1, 2, 2-A e 3, e, em vez disso, garantir os canais dedicados ao eléctrico somente na Av. D. João II, uma artéria já com trânsito automóvel, e não numa alameda que se pretende tendencialmente dedicada a cem por cento ao peão e ao lazer e à fruição das árvores e da arquitectura da água – Alameda dos Oceanos, troço Rotunda dos Vice-Reis/Avenida da Boa-Esperança e Passeio de Ulisses/Avenida de Ulisses.

6. A Carris e a CML devem escolher a Av. D. João II, porque está em causa escolher-se entre um impacte negativo no trânsito automóvel da Av. D. João II (“conflito com o modo rodoviário”), mesmo tendo em conta a dificuldade em se lidar com a rotunda da Avenida da Boa Esperança, e provocar-se um conflito irremediável com o “oásis” da Alameda dos Oceanos.

7. A futura linha de eléctrico (E-16) deve evitar violar os Planos de Urbanização e Planos de Pormenor em vigor na área de implantação do projecto em análise, no que toca à interferência com o património histórico existente (antigos gasómetros, por exemplo), bem como a Estrutura Verde Municipal (contínuos de arvoredo da Alameda dos Oceanos, por ex.), designadamente nas alterações que o projecto propõe na Matinha e em pleno Parque das Nações, em especial pela construção de carris na Alameda dos Oceanos, defendida que esta está como tendencialmente exclusiva do peão, em sede de Plano de Urbanização Expo’98 e de PDM.

8. Facto surpreendente é a CML não aproveitar esta ocasião para, em articulação com a Administração do Porto de Lisboa, suprimir os viadutos “provisórios” rodoviários existentes ao longo da Avenida Infante D. Henrique e seguintes, que são estruturas completamente obsoletas na Europa “civilizada” e constituem obstáculos de facto a um traçado rodoviário que se pretendia desafogado, impedindo também a linearidade da linha E-16, e, em sua substituição, abrir pequenos viadutos enterrados.…

Considerações aos traçados propostos nas alternativas 1, 2, 2-A e 3:

Notas prévias:

Independemente do impacte previsível a nível o abate/transplante de grande parte, se não a totalidade das árvores de alinhamento ao longo da Av. Infante D. Henrique, desde a Praça de Santa Apolónia à Alameda dos Oceanos, e do impacte significativo presente em todas as alternativas objecto da presente discussão pública;

Independentemente dos impactos inevitáveis do E-16 a nível da configuração da malha urbana aprovada pela CML para o loteamento de Braço de Prata (já concluído) e o Plano de Pormenor da Matinha (em pré-obra), e da própria requalificação da Av. Infante D. Henrique, pelas implicações técnicas e logísticas que a construção da linha eléctrico terá, seja qual for a alternativa aprovada, o nosso contributo apenas diz respeito ao impacte na Avenida D. João II e na Alameda dos Oceanos, esse sim com diferenças significativas conforme se decida sobre determinado traçado de cada uma das alternativas em discussão pública.

…

1. Avenida D. João II vs. Alameda dos Oceanos

Troço 8 (Avenida Ulisses – Gare do Oriente): As alternativas 2, 2-A e 3 são as únicas que escolhem fazer passar o E-16 pela Avenida D. João II em canais laterais (em via simples, e não pela Alameda dos Oceanos.

Troço 9 (Gare do Oriente – Avenida da Boa Esperança): As alternativas 2, 2-A e 3 são as únicas que escolhem fazer passar o E-16 pela Avenida D. João II em canais laterais em via simples, e não pela Alameda dos Oceanos.

2. Espaço público pedonal vs. circulação automóvel

A Alameda dos Oceanos é a zona da antiga Expo’98 onde o espaço público apresenta uma maior qualidade, quer em termos de área consolidada e densamente arborizada, quer a nível de espaço pedonal contínuo, seguro, confortável e pacato, devido à quase ausência de circulação automóvel, excepção feita ao acesso ao Centro Comercial Vasco da Gama, sendo que este é feito sobretudo pela Avenida do Índico e é residual desde a Avenida da Boa Esperança.

A introdução de uma linha de eléctrico com dois sentidos irá perturbar de forma indelével e irreversível a Alameda dos Oceanos tornando-a um espaço público inseguro (facto agravado pela presença de vários equipamentos culturais e serviços de restauração com grande afluência de público), poluente e em total oposição ao que o Plano Director Municipal e a regulamentação urbanística da antiga Expo’98 preconizam para a Alameda dos Oceanos, em que a preocupação central é a garantia de um espaço público de qualidade em termos ambientais, mobilidade pedonal e ciclovias, um espaço público onde primam a tranquilidade e a segurança.

Já a Avenida D. João II é uma avenida onde predomina a circulação de automóveis ligeiros e de transporte de passageiros, com diversas carreiras da Carris e da Carris Metropolitana, autocarros de turismo e outros, com múltiplas faixas de rodagem e semáforos, e onde a presença de árvores se faz sentir unicamente no corredor central (maioritariamente pinheiros) e no alinhamento dos passeios laterais, pelo que a introdução da linha E-16 não implicará impactes significativos pois poderá ocupar uma faixa em cada sentido da rodovia, não implicando o abate de árvores.

Nesse sentido, a nosso ver, a alternativa 1 e o traçado de referência são para desconsiderar liminarmente. A alternativa 2-A é a menos impactante.

4. Arvoredo existente ao longo da Av. Infante D. Henrique à Parque Expo

A alternativa 2 implica a sua remoção integral. As alternativas 2-A e 3 implicam o transplante da totalidade de árvores na Av. Ulisses e na Av. Boa Esperança.

Traçado de Referência: As árvores a transplantar são sobretudo casuarinas, tílias e lódãos; e as avaliar serão jacarandás, plátanos e lódãos.

Intervenções no arvoredo ao longo de toda a linha, pelas alternativas 1, 2, 2-A, 3 e “traçado de referência” – espécies a transplantar e a avaliar

NOTA: O parâmetro “A avaliar” é totalmente indefinido quanto a discriminar quais as árvores e em que circunstâncias é que as mesmas são para abater ou transplantar. Falha grave, uma vez estamos perante uma enorme disparidade de números entre alternativas, desde as 363 no âmbito da alternativa 2 e as 839 do “traçado de referência.

Alternativa 1 Alternativa 2 Alternativa 2-A Alternativa 3 Traçado de referência
A transplantar 116 520 187 214 117
A avaliar 668 363 366 932 839

Alternativa 1: As árvores a transplantar são sobretudo casuarinas, tílias, plátanos e lódãos; e a avaliar serão jacarandás, algumas grevíleas e robínias, plátanos e lódãos, e no troço principal da Alameda dos Oceanos, eritrinas.

Alternativa 2: As árvores a transplantar são na sua maioria casuarinas, grevíleas e robínias; e a avaliar serão casuarinas, azinheiras, lódãos e zelkovas; e no troço entre a Praça do Príncipe Perfeito e a Praça Venturoso serão pinheiros de grande porte.

Alternativa 2-A: As árvores a transplantar e a avaliar serão casuarinas e grevíleas.

Alternativa 3:  As árvores a transplantar serão casuarinas, lódãos, figueiras e plátanos; e as avaliar serão casuarinas, tílias, azinheiras, zelkovas e jacarandás.

Neste sentido, a alternativa 2-A é a menos impactante no que toca ao abate e ao transplante de árvores.

Conclusão: defendemos a alternativa 2-A como a menos nefasta para o ambiente e o bem-estar de todos.

Lisboa, 30 de Setembro de 2026

Imagem in site da CML
Alcatroamento da Av. Ribeira das Naus – protesto à CML (18.08.2026) 1024 691 Fórum Cidadania Lx

Alcatroamento da Av. Ribeira das Naus – protesto à CML (18.08.2026)

Exmo. Sr. Presidente da CML

Eng. Carlos Moedas

C.C. AML, PROAP e media

Tomámos conhecimento que a CML se encontra a repavimentar com betuminoso, vulgo alcatroamento, a Avenida Ribeira das Naus (https://informacao.lisboa.pt/noticias/detalhe/avenida-ribeira-das-naus-renovada-na-frente-ribeirinha), arrancando o pavimento em paralelepípedo ali existente desde 2014, no âmbito do mega-projecto de requalificação paisagística implementado pela CML e que conseguiu reabilitar e devolver à população aquela zona da cidade até então degradadíssima e indigna de uma capital europeia.

Não podemos deixar de manifestar o nosso repúdio por o alcatroamento em curso, que consideramos uma obra não só retrógrada em termos ambientais como mais um contributo da CML para a destruição de um projecto de arquitectura que, embora polémico, conseguiu mudar radicalmente para melhor uma zona até então maltratada e que vedava a todos o acesso e fruição da margem do rio.

A substituição de um piso poroso por um impermeável não se justifica no tempo presente, mesmo que todos reconheçamos que o piso existente se encontra permanentemente em mau estado, o que é devido essencialmente à ausência de manutenção do mesmo e ao trânsito de pesados.

Eventualmente, este alcatroamento não só incentivará o aumento de velocidade dos veículos automóveis que por ali circulam como até poderá implicar uma questão de Direitos de Autor!

Recordamos que a Avenida Ribeira das Naus é hoje, passados 12 anos sobre a sua remodelação e ao contrário do idealizado na altura, uma artéria fortemente congestionada de trânsito automóvel, muito dele pesado, e um espaço atulhado de monos, ditos de arte urbana, e de bancas de venda ambulante.

Depois da transformação do lago em águas estagnadas, do alcatroamento do ripado de madeira do passadiço junto ao torreão poente do Terreiro do Paço e da adiada instalação sine dia da fragata D. Fernando II e Glória na doca seca ali existente, perguntamos a V. Exa. o que mais resta do projecto de 2009-2014 de regeneração urbana e do espaço público e de abrandamento do trânsito?

Com os melhores cumprimentos 

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro Jordão, Filipe Teixeira, Nuno Caiado, Inês Beleza Barreiros, Filipe de Portugal, Fernando Jorge, José Albuquerque Fonseca, Jorge Pinto, Beatriz Empis, Ivo Pires, António Araújo

 

Foto in CML

Estação Fluvial de Belém – desapareceu a campânula (luminária) – Pedido de esclarecimentos a Transtejo-Soflusa e Ministério das Infraestruturas (10.10.2025) 897 898 Fórum Cidadania Lx

Estação Fluvial de Belém – desapareceu a campânula (luminária) – Pedido de esclarecimentos a Transtejo-Soflusa e Ministério das Infraestruturas (10.10.2025)

Exmos. Senhores
Ministro das Infraestruturas e Habitação, Eng. Miguel Pinto Luz
Presidente do CA da Transtejo-Soflusa, Dra. Alexandra Ferreira de Carvalho
 
C.C. PCML, AML, PC-IP e media
 
Fomos surpreendidos recentemente pelo desaparecimento (fotografia 1) da estrutura/campânula que até há pouco tempo rematava a Estação Fluvial de Belém e que é elemento indissociável do edifício concebido pelo arq. Caetano de Carvalho, e que foi inaugurado em 1940, por encomenda do então ministro Duarte Pacheco, aquando da Exposição do Mundo Português.
Trata-se, portanto, de um edifício inserido na memória colectiva daquela iniciativa marcante para a cidade, e para Belém em particular, conjuntamente com os edifícios do Museu de Arte Popular, farol, espelho de água, pavilhões ocupados pelas associações marítimas e, em fase posterior, o Padrão dos Descobrimentos.
Solicitamos que nos  informem sobre os motivos técnicos ou operacionais para a retirada da referida campânula, e sobre qual a data prevista para a sua reposição, para que o edifício volte áà sua integridade (fotografias 2 e 3).
Muito obrigado.
Com os melhores cumprimentos
 
Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, Rui Pedro Martins, Gustavo da Cunha, Fátima Castanheira, Diogo Baptista Beatriz Empis, Helena Espvall, António Araújo, Jorge Pinto, Filipe de Portugal
O impacto negativo dos barcos de Cruzeiros em Lisboa – apelo ao Presidente da CML (25.02.2025) 1008 1024 Fórum Cidadania Lx

O impacto negativo dos barcos de Cruzeiros em Lisboa – apelo ao Presidente da CML (25.02.2025)

Exmo. Sr. Presidente da CML
Eng. Carlos Moedas
C.C. AML, JF, APL, ATL, APPA e media
Como é do conhecimento de V. Exa., nos últimos meses têm aparecido várias notícias sobre a indústria dos cruzeiros e o terrível impacto em dezena e meia de cidades portuárias históricas da Europa, como Veneza, Barcelona, Nice, Amesterdão, sendo que há cada vez mais cidades a proibirem ou a penalizarem os barcos de cruzeiros.
A cidade de Nice é a última a decidir banir os cruzeiros de passageiros de atracar no seu porto. O presidente da Câmara, Christian Estrosi, que já assinou um decreto a proibir barcos que transportem mais do que 900 passageiros, classifica os barcos gigantes como «monstros dos mares» que «poluem e despejam a sua clientela ‘low-cost’».
Em Bordéus, por exemplo, o Presidente da Câmara anunciou a vontade de proibir totalmente os barcos de cruzeiro na cidade e há uma proposta para transferir o terminal de cruzeiros para fora do centro da cidade de forma a levantar a pressão crescente sobre a cidade histórica.
A Islândia introduziu no mês passado uma taxa diária de cerca de 16 euros por passageiro dos barcos de cruzeiro cujas receitas serão investidas em projectos de sustentabilidade ambiental. 
Também o governo da Noruega está a planear a introdução de uma taxa similar sobre os passageiros de cruzeiros.
Barcelona, uma das cidades que mais sofre com os cruzeiros, já encerrou um dos terminais da cidade e planeia mais restrições.
E a cidade espanhola de Valencia anunciou que irá proibir mega barcos de cruzeiro a partir de 2026. 
A cidade de Amesterdão vai igualmente proibir os barcos de cruzeiro na cidade com a construção de um novo terminal de cruzeiros fora da cidade.
O jornal The Telegraph publicou a 20 de Fevereiro um artigo extenso sobre este tema «The destinations trying to ban cruise ships and their ‘low-cost clientele’»
Todos estes países – 14 só na Europa – estão a reagir para travar a pressão imparável da indústria dos cruzeiros e dos seus cada vez maiores barcos que chegam às cidades históricas da Europa.
E nós em Lisboa? 
Com um terminal de cruzeiros construído mesmo em frente de Alfama, um dos bairros históricos mais frágeis e vulneráveis da cidade (esta localização foi um erro estratégico como se comprova agora), somos já uma das cidades da Europa que mais sofre com este fenómeno dos mega barcos de cruzeiros.
No entanto nem Governo nem CML parecem estar conscientes da urgência em reagir, tomar medidas determinadas para travar a contínua degradação da qualidade de vida de quem habita o centro histórico de Lisboa.
Daqui apelamos a V. Exa., Senhor Presidente Carlos Moedas, para que se inspire nos seus homólogos europeus aqui citados e evite que Lisboa se torne num mero cenário sem alma para consumo da insaciável indústria do turismo massificado.
Como os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Pedro Jordão, Rosa Casimiro, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria Teresa Goulão, Rui Pedro Martins, Jorge Pinto, Nuno Caiado, Miguel Atanásio Carvalho, Beatriz Empis, Helena Espvall, José Maria Amador, Ana Alves de Sousa, Fátima Castanheira, Luís Serpa
Foto da APL, Agosto de 2024
Consulta pública do projecto de Museu Judaico (Belém) – envio do contributo do FCLX (12.06.2024) 1024 1001 Fórum Cidadania Lx

Consulta pública do projecto de Museu Judaico (Belém) – envio do contributo do FCLX (12.06.2024)

A/C DMU/DLPE/DPE da CML
CC.PCML, AML, JF Belém, Vereadora Urbanismo e media
Exmos. Senhores
No âmbito da consulta pública promovida pela CML para o Museu Judaico em Belém, e conforme AVISO N.º 20/2024, serve o presente para enviarmos o contributo do Fórum Cidadania Lx – Associação, pedindo a vossa melhor atenção para o documento em anexo.
Com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Nuno Caiado, Helena Espvall, Carlos Moura, Rui Martins, Miguel de Sepúlveda Velloso, Carlos Boavida, Fernando Jorge, Beatriz Empis, Paula Cristina Peralta, Maria Ramalho, António Pires Veloso, João Gonçalves, Gonçalo Cornélio da Silva, Maria João Torres, José Amador, Pedro Henrique Aparício

 

Doca do Espanhol – Ampliação do terminal de contentores – pedido de esclarecimentos à APL 876 876 Fórum Cidadania Lx

Doca do Espanhol – Ampliação do terminal de contentores – pedido de esclarecimentos à APL

Exmo. Sr. Presidente do Conselho de Administração da APL
Eng. Carlos Alberto do Maio Correia
C.C. PCML, AML, JF Alcântara e Estrela e agência LUSA
No seguimento da colocação de cartaz na Doca do Espanhol dando conta da existência de um projecto Yilport-Liscont para “modernização e aumento da eficiência operacional” do Porto de Lisboa (foto em anexo), o qual, previsivelmente, implicará um ainda maior número de contentores no local e um ainda maior número de camiões para os escoar, solicitamos a V. Exa. que nos informe sobre:
. Quais os edifícios da Doca do Espanhol que serão demolidos para que tal seja possível?
. Como prevê a APL fazer circular os camiões que passarão a sair e a entrar do local?
Muito obrigado.
Com os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Luís Serpa, Luis Mascarenhas Gaivão, Rui Martins, Helena Espvall, Gustavo da Cunha, Pedro Jordão, Miguel de Sepúlveda Velloso, António Araújo, Carlos Boavida, Filipe de Portugal, Fátima Castanheira, Fernando Jorge, José Maria Amador, Irene Santos, Maria do Rosário Reiche, Pedro Formozinho Sanchez

…

Resposta da APL (23.11.2023)

Exmºs Senhores,

Na sequência do vosso email infra cumpre-nos informar o seguinte:

Antes de mais permitam-nos enquadrar a relevância desta infraestrutura portuária, para a região da Área Metropolitana de Lisboa e para o País.

O Terminal de Contentores de Alcântara, constitui uma infraestrutura fundamental do Porto de Lisboa, representando mais de 40% do total da carga contentorizada movimentada no porto da capital, servindo um conjunto enorme de empresas importadoras e exportadoras nacionais localizadas na AML.

Em março de 2014, foi constituída uma comissão  para a renegociação dos contratos de concessão de terminais portuários para a prestação do serviço público de movimentação de cargas relativa ao Porto de Lisboa no âmbito da qual se deu início à renegociação do Contrato de Concessão de Exploração em Regime de Serviço Público, do Terminal de Contentores de Alcântara. Estes trabalhos culminaram com a assinatura do contrato de concessão, em janeiro de 2021. Esta Comissão identificou desde logo a necessidade de introdução de um conjunto de modificações às condições de exploração da concessão, designadamente, e entre outros aspetos, ao Plano de Investimentos em vigor − por forma a adequá-lo aos objetivos que foram traçados pelo Governo e a torná-lo exequível.

A modernização desta infraestrutura, prevista na Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente, atinge mais de 123 milhões de euros, sendo vital para a afirmação da infraestrutura como um terminal portuário de referência, num setor de atividade altamente competitivo como é o mercado da carga contentorizada.

O projeto de modernização foi objeto de Avaliação de Impacto Ambiental, tendo o procedimento de AIA início a 16 de setembro de 2019 e término em fevereiro de 2021. Em sede do mesmo decorreu a habitual  consulta pública, durante 30 dias úteis, desde 20 de outubro a 30 de novembro de 2020. Em fevereiro de 2021 foi emitido o respetivo Título Único Ambiental (TUA), com parecer favorável condicionado.

Este projeto aposta significativamente na transferência modal e na redução das emissões de CO2, através da aquisição de novos equipamentos mais eficientes, permitindo uma maior fluidez nas operações e uma interação positiva com a envolvente onde o terminal está inserido.

O projeto, assenta nos seguintes pilares:

  1. Reordenamento interno do terminal, modernização, eletrificação e melhoramento dos equipamentos de movimentação de carga e sistemas de informação;
  2. Implementação de transporte fluvial, para a expedição e entrega de contentores no terminal;
  3. Aumento do feixe ferroviário, impulsionando a operação ferroviária, tanto esta como o transporte fluvial como alternativas ao crescimento da movimentação de contentores pela via rodoviária; e
  4. Aposta no negócio de transhipment (transbordo de contentores em trânsito) como complemento do negócio portuário tradicional do terminal de contentores de Alcântara – contentores que têm como destino final ou origem o hinterland do Porto de Lisboa (isto é, a região servida pelo Porto de Lisboa).

Na área da operação do terminal, prevê-se a reformulação da área compreendida entre a frente de cais e a via-férrea, tornando-a totalmente dedicada ao armazenamento e movimentação de contentores. Entre a via-férrea e a doca de Alcântara (Doca do Espanhol), ou seja, a norte do ramal ferroviário, será criada uma zona de manobras e transferência de carga para as composições ferroviárias (rail yard), bem como de um parque de contentores vazios e respetiva área de operação, sendo para isso necessário demolir os edifícios TERLIS e Vasco da Gama. A portaria será alargada criando mais dois acessos e será construído o Edifício de Manutenção e Reparação que albergará todos os serviços do terminal, o Posto de Inspeção Fronteiriço e a área da Autoridade Tributária.

A melhoria operacional preconizada neste projeto trará vários benefícios ambientais para o Terminal e para a respetiva envolvente, a saber:

  1. A eletrificação dos Pórticos de Parque, reduzirá o consumo de CO2 por estes equipamentos, em 88%;
  2. A aposta na ferrovia, com o aumento dos in/out no terminal por comboio até aos 25% de share;
  3. O tráfego fluvial, quando for implementado, o que depende também de terceiros, com o transporte de contentores pelo rio ao invés da utilização da rodovia;
  4. O transporte rodoviário perde peso percentual, passando de um valor de cerca de 85%, verificado atualmente, para cerca de 47%, em 2038.
  5. A diminuição do ruido proveniente do Terminal, conseguida através da renovação do equipamento e da repavimentação do terrapleno.
  6. A implementação do novo TOS ( terminal operation system) que melhora significativamente a gestão de entrada e saída no terminal, diminuindo os tempos de espera dos camiões e aumentando o share de camiões que entram com contentor e saem com contentor ( aumentando a rentabilidade das viagens, diminuindo as viagens sem contentor).

Esperamos dessa forma ter elucidado as questões relativas ao projeto de modernização do Terminal de Contentores de Alcântara, ficando ao dispor para uma visita ao Terminal que poderemos articular com a concessionária, para verem in loco o referido projeto.

Com os melhores cumprimentos,

O Conselho de Administração

…

Doca do Espanhol – Ampliação do terminal de contentores – comentários à resposta da APL (05.02.2024)
Ao 
Conselho de Administração da Administração do Porto de Lisboa
Exmºs Senhores,
Na sequência do V/ e-mail de 23 de Novembro, que muito agradecemos, e pedindo desculpas por só agora reagirmos ao vosso esclarecimento, permitam-nos comentar alguns dos pontos por vós desenvolvidos.
É nosso entendimento que, sendo o TCA uma das dezasseis componentes do porto de Lisboa, não será por deixar de haver movimento de contentores em Alcântara que o porto de Lisboa desaparece, ou que «um conjunto enorme de empresas importadoras e exportadoras nacionais localizadas na AML» deixa de poder importar e exportar – como fariam, então, as empresas «importadoras e exportadoras» que estão longe de terminais de contentores?
Por outro lado, sendo o sector da carga contentorizada de facto bastante competitivo, como V. Exas. referem, porquê insistir-se numa infraestrutura que já se manifestou insuficiente por várias vezes e que, daqui a 20 anos, com toda a certeza, voltará a sê-lo?
Como V. Exas. nos lembram, e bem, este projeto de modernização do TCA foi objeto de Avaliação de Impacto Ambiental, entre 2019 e 2021, e esteve em consulta pública durante 30 dias úteis (de 20 de Outubro a 30 de Novembro).  Simplesmente, em 2020 estávamos em pleno Covid, pelo que a aprovação daí decorrente parece-nos fortemente deficitária quanto ao envolvimento da opinião pública, pelo que o «debate» público parece-nos completamente enviesado.
Não tendo nós a competência técnica necessária para ousarmos comentar os aspectos técnicos das obras propostas, podemos no entanto questionar o seu fundamento a longo-prazo, perguntando a V. Exas o seguinte:
Para onde se vai expandir o TCA, quando esta área estiver saturada? 
E porque não dar à Doca do Espanhol uma actividade para a qual tenha óbvia, e claramente, mais qualidades do que para o movimento de contentores?
Finalmente, nós não pomos em dúvida a importância desta infraestrutura para a AML, mas sim a sua importância para o país, uma vez que Portugal não é Lisboa.
Agradecemos, mais uma vez, a atenção que nos dedicaram, mas o que pretendemos, mesmo, é um debate público digno desse nome.
Com os melhores cumprimentos,
Paulo Ferrero, Luís Serpa, Filipe de Portugal, Eurico de Barros, Helena Espvall, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Fátima Castanheira, Jorge Pinto
Artigo de opinião “E as vistas de Lisboa? A ver vamos, dizia o cego” 838 1024 Fórum Cidadania Lx

Artigo de opinião “E as vistas de Lisboa? A ver vamos, dizia o cego”

In Público (18.02.2023), aqui.