Bicicletas

Propostas contra o agravamento dos riscos reiterado incumprimento do código da estrada por trotinetas, etc. (05.06.2026) 1024 1024 Fórum Cidadania Lx

Propostas contra o agravamento dos riscos reiterado incumprimento do código da estrada por trotinetas, etc. (05.06.2026)

Exmos. Senhores
Presidente da CM Lisboa
Senhor Ministro da Administração Interna
Presidente da AM Lisboa
Comandante do COMETLIS PSP
Comandante da PM Lisboa

com conhecimento à comunicação social

Os abaixo assinados vêm demonstrar a sua preocupação pela situação existente em Lisboa decorrente de um reiterado incumprimento do código da estrada por parte de trotinetas, bicicletas e motociclos na cidade de Lisboa. A situação tornou-se grave dada a sua prevalência elevada e a absoluta impunidade, com riscos pessoais para os cidadãos e para a imagem e reputação da cidade.

Bem sabemos que a cidade de Lisboa é historicamente mal regulada e pior fiscalizada. No caso do trânsito a fiscalização oscila entre o simbólico ou inexistente; é assim com o estacionamento de veículos de todos os tipos em cima dos passeios, com o estacionamento em segunda fila, com os excessos de velocidade, com a sinistralidade em pontos bem conhecidos, com as zonas interditas a tuk-tuks, e por aí fora.

O QUE VEMOS E QUE QUEREMOS QUE SEJA ALTERADO SOBRE AS TROTINETAS das empresas de aluguer, e BICICLETAS (estas, predominante, mas longe de exclusivamente, das empresas/plataformas de distribuição)

1.Hoje, é completamente vulgar ver trotinetas e bicicletas a circular nos passeios (na Avenida da Liberdade há até circuitos organizados para turistas que usam os passeios)

2.Hoje, é extremamente raro ver uma trotineta ou uma bicicleta cumprir a sinalização de trânsito; é completamente vulgar vê-las em contra-mão, em sentido proibido, nas passagens de peões, em velocidade excessiva face às circunstâncias do tráfego, contornando as regras conforme é mais conveniente a cada momento: ora se equiparam a peões, ora a veículos estradais, com condutores jovens ou muito jovens, por vezes sem idade para um correcto discernimento dos riscos inerentes à sua conduta

3.Hoje, é completamente vulgar ver trotinetas a circular com dois utilizadores, inclusive adultos, muitas vezes turistas

4.Hoje, é completamente vulgar ver motociclos a circular nas ruas ziguezagueando por entre o tráfego num frenesim para ultrapassar irregularmente os outros utilizadores das ruas; no caso dos motociclos de menor cilindrada, é frequente ver ainda o incumprimento de paragem em semáforos ou circulação em sentido proibido

5.Quanto ao estacionamento, hoje, ainda que o problema esteja minorado, continua a ser vulgar encontrar trotinetas despejadas ad hoc em cima dos passeios; e passou a ser comum encontrar grandes aglomerações de motociclos estacionados abusivamente em cima dos passeios em desrespeito pelas normas e pelos direitos dos peões

6.Perante o relatado, vemos a inexistência de uma estratégica ou qualquer reacção organizada das autarquias e das polícias,pondo risco em primeiro lugar os peões, depois os demais utilizadores do espaço público, e os próprios condutores das trotinetas, bicicletas e motociclos, e a qualidade de vida geral da cidade.

O QUE PROPOMOS

Propomos que

1.A CML ganhe consciência dos problemas, que os assuma, e que encare a sério a mobilidade ligeira, não a deixando ser confundida com uma utilização desregrada e caótica do espaço público de trotinetas e bicicletas

2.A CML pondere o fim da exploração comercial de trotinetas na cidade, focando-se nas bicicletas, dando uma moratória às empresas do sector para encerrarem a actividade num prazo não superior a 12 meses

3.A CML, através dos serviços da Polícia Municipal e de protecção civil, desenvolva uma grande campanha de sensibilização dirigida ao grande público para o bom uso das trotinetas e das bicicletas, nomeada mas não exclusivamente a interdição dos passeios àqueles veículos

4.No início do ano lectivo de 2026/27, e se possível com refresha meio do ano, a CML, através do serviço de protecção civil e outros, desenvolva uma campanha intensa de sensibilização junto das escolas secundárias com vista à elucidação das regras aplicáveis ao uso e estacionamento de trotinetas, a par de alertas nos seus sites, facebook e instagram, e MUPIs junto de escolas secundárias e hotéis

5.Que, em articulação com o Ministério da Administração Interna, sejam dadas instruções claras à Polícia Municipal e à Polícia de Segurança Pública para que sejam sistematicamente pró-activas na reacção às violações do direito

6.A CML se articule com os operadores privados de bicicletas e trotinetas exigindo-lhes o cumprimento de todas as regras preventivas dos abusos verificados, incluindo avisos explícitos na publicidade e nas aplicações

7.A CML deve redesenhar os acessos às aglomerações de motociclos em cima dos passeios de modo a evitar fisicamente esses acessos.

Apelamos a Vossas Excelências para terem em atenção este assunto e resolvam com a máxima urgência, antes que os seus efeitos venham a assumir proporções tais que a situação se torne irresolúvel.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Nuno Caiado, Bernardo Ferreira de Carvalho, Pedro Jordão, Rui Pedro Barbosa, Paulo Trancoso, Jorge Pinto, Fernando Jorge

Pedido de esclarecimentos urgentes à Polícia Municipal sobre a remoção de bicicletas na via pública (03.02.2026) 819 1024 Fórum Cidadania Lx

Pedido de esclarecimentos urgentes à Polícia Municipal sobre a remoção de bicicletas na via pública (03.02.2026)

C.C. GAB PCML e media
 
Exmos. Senhores,
Na sequência das recentes comunicações públicas da Polícia Municipal de Lisboa, nas quais é referido que se encontra em curso uma ação destinada à remoção de bicicletas, motas e viaturas abandonadas na via pública, nomeadamente bicicletas obsoletas, sem rodas, enferrujadas ou partidas, constatámos que houve já várias reclamações de munícipes que, fotografando as ocorrências, deram conta de várias remoções indevidas.
Com efeito, diversos registos fotográficos e relatos de munícipes, amplamente divulgados, demonstram a remoção de bicicletas aparentemente em pleno estado de utilização, completas, funcionais e claramente não obsoletas, facto que já teve o inevitável eco na comunicação social (https://www.publico.pt/2026/01/30/local/noticia/policia-municipal-lisboa-anda-apreender-bicicletas-uso-presas-postes-2162984)
Estes factos levantam-nos sérias dúvidas quanto aos critérios efectivamente aplicados no terreno e a correspondência entre o esclarecimento oficial prestado e a prática observada.
Estranhamos estas actuações por parte da Polícia Municipal, bem como não compreendemos a diferença de tratamento que a mesma tem em relação a outras ocupações do espaço público que nos parecem bem mais graves e urgentes, como sejam os automóveis estacionados em cima dos passeios, as trotinetas caóticasos polos ilegais de motos ou as esplanadas claramente incumpridoras dos regulamentos em vigor.
Ou seja, enquanto as bicicletas são removidas com rapidez e rigor, e mal em muitos casos, os automóveis em cima dos passeios e as esplanadas irregulares permanecem sem fiscalização efetiva, o que é grave se tivermos em conta que estes dois flagelos do nosso espaço público afectam diariamente peões, pessoas com mobilidade reduzida, idosos e famílias com crianças.
Face ao exposto, solicitamos à nossa Polícia Municipal que nos esclareça sobre:
1. Os critérios concretos utilizados para classificar uma bicicleta como abandonada;
2. Os procedimentos de verificação adoptados antes da sua remoção;
3. O destino das bicicletas removidas e os mecanismos existentes para a sua recuperação pelos proprietários;
4. As medidas previstas para evitar a remoção indevida de bicicletas claramente em uso.
A transparência, a proporcionalidade e a coerência na atuação da Polícia Municipal são essenciais para manter a confiança dos munícipes e para garantir um espaço público mais justo, acessível e alinhado com os princípios de uma mobilidade urbana moderna.
Muito obrigado.
Com os melhores cumprimentos,
Paulo Ferrero, Filipe Teixeira, Jorge Pinto, Pedro Henrique Aparício, Duarte Baptista

(fotografias in “Lisboa Para as Pessoas”)

Resposta da Polícia Municipal (04.02.2026):

Ex. mos (as) Senhores (as)
Encarrega-me o Exmo. Senhor Chefe da Área Operacional da Polícia Municipal de Lisboa – Intendente Rui Costa Fonte, de informar Vossa Exa.s que recebemos a V/ comunicação, que mereceu a nossa melhor atenção e que agradecemos, pela oportunidade que nos dão para os esclarecer e, seguramente, contrariar uma ideia que se tem divulgado no espaço público e mediático.
1 – a missão da Polícia Municipal de Lisboa, como de todas as Polícias, está prevista na Lei;
2 – as bicicletas, enquanto veículos, estão sujeitas às regras previstas no Código da Estrada;
3 – o art.º 164.º do Código da Estrada prevê as situações em que os veículos podem ser removidos da via pública, sendo que, as bicicletas em causa encontravam-se numa das situações identificadas neste preceito legal. Não houve qualquer remoção indevida;
4 – sem prejuízo do exposto no ponto anterior, as bicicletas ou quaisquer outros veículos ou objetos não podem ser amarrados ou presos a mobiliário urbano, incluindo postes;
5 – têm sido dirigidas a esta Polícia Municipal várias reclamações sobre bicicletas estacionadas irregularmente sobre passeios e outros locais não destinados a esse fim, das quais destacamos as provenientes de cidadãos invisuais, para quem, o estacionamento de bicicletas sobre passeios representa risco para a sua segurança;
6 – aliás, a este propósito será pertinente repristinar uma comunicação que V/Ex.as nos endereçaram no passado dia 19/08/2025. Nessa, entre outras coisas, permitam-nos recordar-vos que escreveram o seguinte:
É com perplexidade e inquietação que nos dirigimos à Polícia Municipal de Lisboa, manifestando o nosso desagrado quanto à ausência quase total de fiscalização efetiva da vossa parte quanto ao estacionamento indevido em passeios, passadeiras e demais zonas reservadas à circulação pedonal na cidade de Lisboa.
Estamos convictos de que é possível inverter esta trajetória de permissividade e desresponsabilização. Para isso, é necessário que as autoridades municipais e a Polícia Municipal em particular assumam, sem ambiguidades, o seu papel na defesa dos direitos dos peões e na promoção de uma cidade verdadeiramente humana e habitável, ao abrigo do Artigo 50.º do Código da Estrada sobre a “proibição de estacionar em passeios, passadeiras e locais destinados a peões”,
7 – as bicicletas removidas (não apreendidas, mas removidas, com o fundamento previsto no Código da Estrada) encontram-se em parque da Polícia Municipal de Lisboa, podendo ser devolvidas a quem faça prova da sua propriedade e o pagamento da coima correspondente ao estacionamento irregular, das taxas resultantes da sua remoção e da diária pelo estacionamento em parque municipal, tal como ocorre com a remoção de qualquer outro veículo;
8 – durante o ano de 2025, esta Polícia Municipal removeu, das ruas de Lisboa, o total de 5505 trotinetes e bicicletas e removeu ou bloqueou 4144 viaturas automóveis, com o mesmo fundamento legal. Naturalmente, estes números contrariam a acusação que nos dirigiram em 19/08/2025, quanto à alegada ausência quase total de fiscalização, e mostram que a ação desenvolvida no passado dia 27 de janeiro foi, apenas, mais uma, no cumprimento da Lei e na defesa dos direitos dos peões;
9 – dado o tamanho dos ficheiros, não Vos podemos enviar fotos de todas, mas, em anexo, enviamos fotos de algumas das bicicletas que removemos no passado dia 27 de janeiro. Igualmente, enviamos outras publicações públicas que, entretanto, foram realizadas em redes sociais sobre o tema e que não podemos ignorar.
Pelo exposto, não obstante, defendermos a utilização de bicicletas, numa mobilidade que se pretende mais amiga do ambiente, não podemos deixar de aplicar a Lei, ainda mais quando esta é reclamada por cidadãos. Aliás, reclamações como, também, Vós nos endereçaram.
Com os melhores cumprimentos,                            
José Fernandes              
Ag. Coordenador
Câmara Municipal de Lisboa
Policia Municipal de Lisboa

A nossa resposta (10.02.2026):

 

Exmo. Senhor Chefe da Área Operacional da Polícia Municipal de Lisboa
Intendente Rui Costa Fonte
Agradecemos a resposta enviada, bem como o tempo dedicado à exposição dos fundamentos invocados, que conhecemos e respeitamos.
Esta associação tem pautado sempre a sua intervenção pública precisamente pela defesa do cumprimento da lei, em particular no que respeita à protecção do espaço pedonal e aos direitos dos peões. É exatamente por esse motivo que a vossa resposta não pode deixar de causar perplexidade.

Importa esclarecer, desde logo, que temos sido críticos da presença indevida de todo o tipo de obstáculos nos passeios, incluindo mobiliário urbano mal implantado, sinalização redundante e outros elementos que dificultam a circulação pedonal.

No entanto, não cremos que V. Exas. possam colocar no mesmo plano este conjunto heterogéneo de obstáculos e o automóvel estacionado sobre passeios, que continua a representar, de forma esmagadora, o principal factor de bloqueio e exclusão no espaço público da cidade de Lisboa.

É precisamente aqui que, a nosso ver, reside o cerne do problema. A vossa actuação recente, de grande escala e elevada visibilidade sobre bicicletas, contrasta de forma gritante com a persistente incapacidade em agir sobre o estacionamento automóvel ilegal sobre passeios. Este fenómeno mantém-se quotidianamente, ano após ano, apesar das inúmeras queixas formais apresentadas por esta associação e por tantos outros cidadãos, sem que se observe uma mudança estrutural na prática de fiscalização.

Os números apresentados podem ser formalmente corretos, mas não anulam a realidade vivida na cidade: os automóveis continuam a ocupar passeios de forma sistemática, em particular fora do âmbito de atuação da EMEL e, de forma especialmente evidente, aos fins de semana por toda a cidade. Nesse contexto, a opção por uma intervenção musculada sobre bicicletas, veículos que ocupam uma fracção do espaço de um automóvel e cujo impacto é incomparavelmente menor, surge como, bizarra do ponto de vista das prioridades urbanas.

Estamos no século XXI. Se o objetivo é, legitimamente, evitar que bicicletas bloqueiem passeios estreitos ou coloquem em risco cidadãos invisuais, então essa preocupação teria necessariamente de ser acompanhada pela criação de estacionamento adequado para bicicletas, algo que continua a ser praticamente inexistente em grande parte da cidade e que é da responsabilidade da CML e não da Polícia Municipal, obviamente.

Infelizmente, constatamos que o paradigma se mantém: tolerância estrutural ao estacionamento automóvel ilegal e ações pontuais, mas mediaticamente ruidosas, sobre modos de transporte leves. Esta persistência na mesma abordagem, apesar das críticas reiteradas e fundamentadas, é profundamente desgastante para quem acredita numa cidade mais justa, acessível e verdadeiramente orientada para as pessoas.

Continuaremos, naturalmente, a defender os direitos dos peões e o cumprimento da lei. Mas fá-lo-emos também denunciando a falta de coerência nas prioridades de fiscalização e a incapacidade de enfrentar, de forma séria e continuada, o maior problema dos passeios em Lisboa: o automóvel.

Muito obrigado, mais uma vez.

Com os melhores cumprimentos,

Paulo Ferrero, Filipe Teixeira, Beatriz Empis, Diogo Baptista, Miguel Atanásio Carvalho, Jorge Pinto, Fátima Castanheira, Michael Hagedorn
Lisboa a pedais – quo vadis? (08.09.2022) 1024 1024 Fórum Cidadania Lx

Lisboa a pedais – quo vadis? (08.09.2022)

Precisamos de mais iniciativas estruturadas para promover a descoberta individual que a cidade das sete colinas pode ser pedalada. Vale a pena lembrar o que a física nos ensina: é preciso pedalar para que a bicicleta se mantenha em movimento.