Exmo. Sr. Presidente da CML
Eng. Carlos Moedas
Exmo. Sr. Vereador do Urbanismo da CML
Arq. Vasco Moreira Rato
No seguimento da abertura da discussão pública da alteração da operação de Loteamento Artilharia Um, publicada no site da CML, e consultados vários artigos sobre este tema, com realce para o do jornal Público, de Samuel Alemão, no passado dia 26, junto temos o prazer de enviar o contributo do Fórum Cidadania Lx – Associação para este debate, cuja concepção é dos senhores arquitectos Augusto Vasco Costa, Maryam Shafhei e Cosmina Pop.
É nossa convicção que esta solução alternativa urbana, é, por comparação com a proposta em debate, mais respeitadora da cidade, mais adequada à escala urbana, mais harmoniosa e mais consentânea com uma “cidade de bairros” e a sua identidade, ou seja, é mais condizente com o espírito que preside ao Plano Director Municipal em vigor.
Parafraseando os considerandos dos seus autores, em memória descritiva:
«Não alertava António Costa em 2018, que “o turismo só existirá enquanto houver uma Cidade que tenha diferenciação”?
Não foram os sucessivos Planos Directores Municipais “actualizando” e aprovando para as zonas históricas um índice máximo de 2/2,2?
Não havia um compromisso, entre partidos, das novas urbanizações a aprovar, 25% da sua construção, seriam para habitação acessível?»
Posto isto, aqui se deixa a razão da alternativa apresentada:
«1. Propõe-se manter a área de construção que a Câmara considera possível de aprovar,
2. Propõe-que, como o índice proposto será de cerca 2,67 e o considerado pelo PDM deveria ser de 2/ 2,2, os metros quadrados excedentes se destinem a “Habitação Acessível”, permitindo a desejada “Inclusão Social” o que ,com o mix-funcional proposto, fosse como o “pontapé de saída” para as tão desejadas “Comunidades de 15 minutos”, onde, devido à sua “escala de proximidade”, todos se conhecem, se completam e se vigiam, “olhos nos olhos”; sem necessidade de mais polícia, isto é, como se vivia, alegremente em Lisboa, até há pouco tempo;
3.A integração com a sua envolvente a Nascente, far-se-á, prolongando os eixos viários existentes, alocando-os, preferencialmente, aos peões, e reduzindo o nº de pisos propostos de 12 acima do solo apenas para 6+1, média aproximada da rua Castilho;
4. A integração com a sua envolvente a Poente, cuja volumetria, salvo melhor opinião, nada tem a ver com Lisboa e com os seus sucessivos PDM, far-se-á através do seu amortecimento pelo “verde” proposto a Poente da Avenida e pelo convite que se faz de usufruírem do jardim que se propõem mesmo à sua frente;
5. Considera-se que este jardim deverá manter a desejada “escala de proximidade”, de forma a que seja mais fácil a sua manutenção e a sua segurança;
6. Igualmente, para se integrar perfeitamente no edificado os equipamentos necessários a um melhor aproveitamento das energias renováveis, propõe-se voltar-se a coberturas parcialmente inclinadas de forma a melhor integrar os seus painéis solares, esconder aparelhos de ar-condicionado e tanques de recolha de águas pluviais para sua reutilização e, no seu espaço sobraste, ainda ser aproveitado para áreas de convívio, de descanso, com vistas panorâmicas sobre a sua envolvente.
Mas atenção, não se pretende “imitar o antigo, estamos no século XXI”!
É esse o desafio que nos pomos como arquitectos, que pretendem viver integrados numa sociedade mais justa, mais desenvolvida e mais amiga do ambiente:
“Há que projectar actual, tirando o máximo partido das novas tecnologias e materiais, mas paralelamente, respeitando a Cidade, a escala humana, das suas ruas, praças e bairros”;
Como dizia Antero de Quental:
“Revolução não quer dizer guerra, mas sim Paz!
Longe de se apelar à insurreição, pretende-se preveni-la, torná-la impossível”»
Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos
A Direcção
Paulo Ferrero
Bernardo Ferreira de Carvalho
Miguel de Sepúlveda Velloso
Pedro Jordão
Rosa Casimiro

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