Decorridos vários meses sobre o anúncio do Metropolitano de Lisboa em Setembro de 2025, que dava conta do lançamento de um projecto-piloto de reabilitação das escadas rolantes das estações Baixa-Chiado e Aeroporto (https://expresso.pt/economia/transportes/2025-09-16-solucao-a-vista-para-as-escadas-rolantes-da-baixa-chiado-e-do-aeroporto–metro-de-lisboa-prepara-projeto-para-resolver-avarias-39ec917d), e gastos que estão 22,5 M€ do Plano Nacional para a Promoção da Acessibilidade desde 2018, verba que permitiu, recorde-se, substituir 33 escadas mecânicas e instalar ou renovar 39 elevadores, a verdade é que o panorama actual continua desolador, sem se vislumbrar os efeitos práticos de tantos milhões ou do dito projecto-piloto.
Com efeito, não só o nosso estudo levado a cabo durante 21 e 31 de Janeiro e feito a partir de informações recolhidas presencialmente por voluntários em todas as estações da rede de Metro, nos diz que continua a haver escadas rolantes avariadas nas estações Baixa-Chiado (um “clássico”) e Aeroporto, como o mesmo identifica falhas persistentes na acessibilidade do Metropolitano de Lisboa.
A análise incidiu sobre o estado de funcionamento de elevadores e escadas rolantes, a partir de observação direta realizada por voluntários, e demonstra que o funcionamento integral dos equipamentos de acessibilidade não corresponde à situação dominante da rede.
No que respeita aos elevadores, os dados recolhidos indicam que apenas 18 estações apresentavam todos os elevadores em funcionamento no período analisado. Em 17 estações, verificou-se que nem todos os elevadores estavam operacionais. Acresce que 9 estações da rede não dispõem de qualquer elevador, situação que levanta sérias reservas do ponto de vista da acessibilidade universal e do cumprimento das obrigações legais aplicáveis ao transporte público urbano.
Relativamente às escadas rolantes, o cenário é ainda mais crítico. Apenas 15 estações apresentavam todas as escadas rolantes a funcionar. Em 25 estações, nem todas as escadas rolantes estavam operacionais. Verificou-se ainda que 11 estações continuam a não dispor de escadas rolantes, aumentando a dependência exclusiva de escadas fixas ou elevadores, quando existentes e funcionais.
Cremos que este estado de coisas compromete o uso do Metropolitano como meio de transporte público prioritário num tempo em que tal não deveria acontecer, uma vez que se a ele juntarmos o tempo de espera excessivo que se verifica sistematicamente, quer durante o dia quer à noite, e as várias interrupções e paragens técnicas inexplicáveis que se verificam quase todas as semanas, isso contribuiu para que a preferência pelo Metro sendo substituída gradualmente pelo regresso ao uso do automóvel.
O estudo desmonta assim a ideia de que os constrangimentos de acessibilidade são pontuais ou excepcionais, apontando antes para um problema estrutural de manutenção insuficiente, conforme informação em resumo que junto enviamos.
O Fórum Cidadania Lx e os Vizinhos em Lisboa defendem que estes dados justificam uma intervenção urgente, estruturada e monitorizada, um investimento nas infraestruturas, no reforço da manutenção preventiva e mecanismos públicos de prestação de contas sobre o estado da acessibilidade por estação.
Este estudo é apenas um contributo para um debate público que se pretende informado, e nele propomos um conjunto de medidas que julgamos poderem resolver grande parte dos problemas detectados, e de que daremos conta à nova Administração do Metropolitano de Lisboa.
Muito obrigado.




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