Exmo. Senhor Presidente da Câmara de Lisboa
Eng. Carlos Moedas
Exma. Senhora Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior
Dra. Maria João Correia
C.C. AML e media
Como será do conhecimento de V. Exas. o antigo urinol de encosto da Rua do Chão da Feira, ao Castelo, é um dos três últimos urinóis históricos de Lisboa, exemplares únicos do mobiliário urbano de finais do Século XIX.
Constatamos que a estrutura metálica do urinol e a placa sinalética que existia na parede foram removidas.
Solicitamos a V. Exas. que nos informem se toda a estrutura foi retirada para restauro, uma vez que o urinol propriamente dito se encontra no local.
Juntamos quatro fotografias, duas delas de 2025, da autoria de ©vleandro e ©Shutterstock, in “Lisboa Secreta”.
Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Rui Martins, António Araújo, Jorge Pinto, Pedro Henrique Aparício, Nuno Caiado, Beatriz Empis, Filipe de Portugal, Susana Morais, João Batista


©Shutterstock

©vleandro
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Resposta do Gab, Vereadora do Espaço Público (08.07.2026):
«Exmos. Senhores,
Acusamos a receção da missiva dirigida ao Município de Lisboa, a qual mereceu a nossa melhor atenção.
Na sequência da análise da situação exposta, cumpre-nos informar que o antigo urinol da Rua do Chão da Feira, um dos três últimos urinóis históricos de Lisboa datados do final do século XIX, era utilizado regularmente pelos visitantes, em particular durante os períodos de maior afluência e de temperaturas mais elevadas. A utilização deste equipamento como mictório ao ar livre originava uma situação de manifesta insalubridade, acompanhada de odores intensos e desagradáveis, incompatível com as condições de salubridade e dignidade que se pretendem assegurar no espaço público.
Neste contexto, foi decidido proceder à remoção da sinalética e da estrutura metálica de resguardo, com o objetivo de mitigar e eliminar a utilização indevida do equipamento. Importa referir que o urinol se encontra encastrado na parede, pelo que a sua remoção não se afigura viável. Desde a intervenção realizada, as deslocações efetuadas ao local permitiram verificar que o espaço se tem mantido limpo e sem os maus odores anteriormente registados.
Não obstante, atendendo ao valor histórico deste equipamento, datado do final do século XIX, o Departamento de Projetos do Município terá em consideração a sua recuperação no âmbito do estudo de requalificação do arruamento de acesso ao Castelo, procurando conciliar a preservação deste elemento patrimonial com a valorização e qualificação do espaço público.
Por último, agradecemos a preocupação demonstrada com a preservação do património da cidade de Lisboa, e permanecemos ao dispor para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais.
Com os melhores cumprimentos,
Cláudia Boieiro
Adjunta da Vereadora Joana Baptista»
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Resposta ao e-mail da Senhora Vereadora (27.07.2026):
Exma. Sra. Vereadora do Espaço Público
Dra. Joana Baptista
C.C. PCML, AML, JF e PC-IP
Na sequência da resposta de V. Exa. do passado dia 8 à nossa exposição ao Sr. Presidente da CML e à Junta de Freguesia, de 17 de Junho (https://cidadanialx.org/portfolio/estrutura-metalica-do-urinol-seculo-xix-no-chao-da-feira-castelo-foi-removida-pedido-de-esclarecimentos-a-cml-e-jf-17-06-2026/), que agradecemos, permita-nos que manifestemos o nosso lamento pelo facto de a CML não entender que estamos em presença de Património e não de mero mobiliário urbano indiferenciado e, portanto, removível.
É lamentável que os técnicos da edilidade não entendam a importância destes móveis da rua, enquanto documentos da história urbana, referência física, mental, sociológica, artística, etc.
A sua (eventual) recolha para restauro é louvável.
No entanto, a sua reinstalação no mesmo local é igualmente fundamental, porque há um lugar de “pertença” que a peça foi ganhando ao longo do tempo, por quem a viu ou a utilizou.
Lembramos, ainda, que se existe uma situação de “manifesta insalubridade, acompanhada de odores intensos e desagradáveis, incompatível com as condições de salubridade e dignidade que se pretendem assegurar no espaço público”, a limpeza do espaço público cabe exclusivamente à CML e às Juntas de Freguesia no âmbito da Reforma Administrativa (https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/57-2019-122195230 e https://www.am-lisboa.pt/documentos/1519145956U0dPL7ze1Vt14SD9.pdf).
Mais importante, pelo seu carácter histórico centenário, não aceitamos que a CML e a JF se demitam da boa manutenção deste equipamento único na cidade, pelo que a sua eventual ida para outro local da cidade ou a sua musealização, não nos parece a melhor opção, pelas razões apontadas.
A solução do “mau cheiro” resolve-se, tal como desde Oitocentos, com um bom saneamento: escoamento e água corrente, acrescido de alguma manutenção periódica, como acontece, por exemplo, com as estruturas deste tipo que existem na cidade de Bruxelas e que são regularmente limpas e mantidas.
Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos«
Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Fernando Jorge, Fátima Castanheira, Rui Martins, Ivo Pires, António Araújo, Beatriz Empis

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